Sean Connery, para sempre James Bond

Sean Connery, para sempre James Bond

Ator escocês morreu aos 90 anos

AFP

Em 1962, Sean Connery estreou na pele de 007

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O mais famoso súdito de Sua Majestade no papel de James Bond, o ator escocês Sean Connery, que morreu aos 90 anos, deixou como legado uma carreira de mais de meio século e seu compromisso com a independência da Escócia. Nascido em 25 de agosto de 1930 em Edimburgo, em uma família pobre da classe trabalhadora, Thomas Sean Connery tornou-se, quase por acaso, um gigante do cinema e um dos homens mais sedutores.

Com mais de 80 anos, representava ainda no imaginário dos fãs a personificação do homem viril, cínico, com uma voz grossa, temperada por um sotaque escocês. Mas antes de beber seu drinque Vesper, uma mistura de martini e vodca, "batido, não mexido", nos bares mais sofisticados, dirigir um Aston Martin por estradas em meio a paisagens estonteantes e perigosas e seduzir as mulheres mais belas em seu papel de 007, Thomas Sean Connery (seu nome de batismo) simplesmente tentou deixar de ser pobre.

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"Nascido na terrível pobreza dos subúrbios de Edimburgo, seu principal e único sonho era escapar. Foi a pobreza que colocou Sean Connery de pé. Aquela que impulsionou sua ascensão, primeiro para a independência financeira, e depois para a arte", explicou Michael Feeney Callan, um de seus biógrafos.

Sean Connery abandonou a escola para se servir à Marinha aos 16 anos. Nas docas de Portsmouth, aperfeiçoou seus hobbies favoritos: futebol, boxe e mulheres. Naquela época, ele fez as duas tatuagens em seu antebraço direito. Uma representa um esquilo e um pássaro com a inscrição "Mamãe e Papai", e a segunda um coração com uma faca cravada que diz "Escócia para sempre". Família e Escócia, duas prioridades em sua vida.

Passaporte para a glória

De volta à vida civil após três anos devido a uma úlcera, ele enfileirou pequenos trabalhos, às vezes pitorescos. Foi professor de natação, polidor de caixões, entregador de carvão, pedreiro, motorista e guarda-costas. Ele até se dedicou ao fisiculturismo e entrou no concurso Mister Universo em Londres em 1950, no qual ficou em terceiro lugar.

Seu físico imponente foi seu passaporte para a glória. Aos 27 anos, iniciou a carreira de ator quando, após ser visto em um filme para a TV da BBC, assinou contrato com a 20th Century Fox.

Rapidamente, participou de várias produções até ser contatado para participar da adaptação de um romance de espionagem. Ele se recusou a fazer a um teste para o papel, argumentando: "Eles me aceitam como sou ou me esquecem." A insolência funcionou e, por 6.000 libras, ele se tornou o agente secreto James Bond, o 007.

Em 1962, estreou na pele de seu mais famoso personagem no filme "007 contra o Satânico Dr. No". Voltou a interpretar o papel outras seis vezes.

"É impossível ter vivido os anos 60 e não ter lamentado, em certos momentos da vida, não ser Sean Connery", escreveu Christpher Bray em "Sean Connery: Uma Biografia", falando sobre este "ícone secular que não participa de filmes, mas sim que os filmes nascem em torno da ideia única de sua presença".

O fervor poderia ter levado Connery a odiar seu personagem, "mas ao contrário do que algumas pessoas pensam, eu sempre gostei de Bond, embora às vezes o achasse desagradável", disse o ator em 1983, 12 anos depois interpretá-lo pela última vez em "007 - Os Diamantes são Eternos" (1971).

"Homem vivo mais sexy"

Convertido em uma estrela internacional, filmou com os grandes nomes de Hollywood. Em 1989, quando tinha 59 anos, foi eleito pela revista People "o homem mais sexy do mundo" e, dez anos depois, como o mais atraente do século XX.

Ele passou a desempenhar frequentemente o papel de mentor espiritual, como em "Highlander, o Guerreiro Imortal" (1985), "O Nome da Rosa" (1986) ou "Indiana Jones e a Última Cruzada" (1989). Por "Os Intocáveis" (1987), recebeu o Oscar de melhor ator coadjuvante e o título de "pior sotaque de todos os tempos no cinema".

Sua popularidade nunca diminuiu e em 2013, quando estava aposentado há dez anos após 64 filmes, foi eleito o ator britânico favorito dos americanos.

Alguns acreditam que sua luta pela autonomia de sua Escócia natal adiou até 2000 a concessão de um título de nobreza pela Rainha Elizabeth II. Sir Sean Connery viveu "no exílio" entre o sul da Espanha, os Estados Unidos e as Bahamas e disse que só retornaria à Escócia quando o país fosse independente.

Nos últimos anos, ele fazia poucas suas aparições públicas, morando principalmente em Nova York com sua segunda esposa, a francesa Micheline Roquebrune, que conheceu jogando golfe e com quem se casou em 1975.

"Como ela não falava inglês e eu não falava francês, havia poucas chances de termos discussões estúpidas. Por isso nos casamos tão rapidamente", explicou Connery, que também foi casado com a atriz australiana Diane Cilento, com quem teve um filho. Jason, em 1963.

Os primeiros rumores sobre sua morte apareceram em 1993 na imprensa australiana e japonesa. Finalmente, desta vez ele morreu. Afinal, como disse Bond, "Você só vive duas vezes".

 


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