Violinista cria “vaquinha online” para poder participar de curso no exterior
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Violinista cria “vaquinha online” para poder participar de curso no exterior

Estudante da Ufrgs e professora em projeto social, Izandra Machado foi selecionada para participar do Aruba Symphony Festival

Por
Lou Cardoso

Izandra começou a tocar violino quando criança, incentivada pela avó

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Foi poucos dias atrás que a violinista Izandra Machado, 23 anos, recebeu uma notícia que a fez perceber que sua trajetória musical valeu a pena. A porto-alegrense foi uma das selecionadas para uma uma bolsa integral para participar do Aruba Symphony Festival, no Caribe, de 16 a 27 de julho deste ano. O curso oferece aulas com professores, masterclasses, prática de música de câmara, prática de orquestra sinfônica e muitas outras atividades.

“É um grande passo para minha formação acadêmica”, afirmou ela, que agora procura juntar recursos para poder embarcar a Aruba. “Eu espero poder conseguir ir para quando voltar, ter esta bagagem, ter toda esta experiência.” Apaixonada por música desde criança, Izandra é estudante do quinto semestre do curso de Música com ênfase em violino na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) e trabalha dando aulas na Escola de Artistas Nova Estação, além de ser musicista na Orquestra Sinfônica de Gramado e violinista em um hotel. 

A renda atual não é suficiente para bancar os custos como passagem aérea, hospedagem e alimentação durante o período do festival. Então, Izandra criou uma vaquinha online para juntar o total de R$ 9.553,00 para cobrir todas despesas, além de uma rifa que organizou com a amiga Christine Haruka Tao, também selecionada para o curso, para cobrir o valor. As doações podem ser efetuadas neste link. 

Além da doação 

Mas Izandra quer ir além das doações financeiras para a viagem: ela quer divulgar o seu trabalho como violonista. “Eu quero trabalhar para poder custear a minha viagem. Eu não quero depender só de doação. A forma da vaquinha é uma forma das pessoas verem meu contato, de poderem me dar uma oportunidade de emprego. Apesar de ser professora e tocar em uma orquestra, eu faço isso para me manter", enfatizou. 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Ontem foi dia de fazer música através da @83oitotres no lindíssimo casamento do @eu.vagner e @fellipesaraiva na Casa de Festas @laluxcasadeeventos . Recebi esses lindos vídeos dos convidados e amigos para compartilhar com vocês um dos meus trabalhos com o violino elétrico. Irei marcar os convidados que me mandaram, muitíssimo grata pelo registro e carinho! ❤️ VIVA O AMOR! 🌈 FIGURINO: @ayana_modas #casamentovagefe #83oitotres #violin #violinist #eletric #electricviolin #music #som #string #casamento #musica #meuestilo #meujeito #minhamusica #amor #lgbt #love #ambiente #violino #evento #revistaeleve #afro #roupaafro #modaafro

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Desta forma, Izandra vai realizar dois recitais no dia 5 de julho. Ao lado de Jônatas Asafe, a jovem tocará obras de Mozart, Beethoven, Gnatalli, Kreisler e Piazzolla, às 17h na Escolas de Artistas Nova Estação (rua Schiller 14, Rio Branco).

A segunda apresentação ocorre no mesmo dia, às 19h30min na Biblioteca Pública do Estado do RS, no Salão Mourisco. Lá será na companhia da amiga Christine Haruka Tao. A dupla traz as obras de Mozart, Gnatalli, Kreisler e Schostakovich com a participação especial do pianista Érico Bezerra.

“Eu quero retribuir”

Caso consiga arrecadar os valores necessários para ir a Aruba, Izandra promete compartilhar o conhecimento com seus alunos de uma ONG do bairro Bom Jesus, por quem dedica-se carinhosamente com as aulas de violino uma vez por semana. "Eu comecei a estudar violino através de um projeto social e foi a minha avó que me incentivou. Eu me vejo muito neles, de como tudo começou. Eles são muito talentosos e eles têm uma coisa, que eu gosto muito, que é aquela vontade e garra de aprender", comentou. 

Segundo ela, com o violino, você pode tocar qualquer tipo de música. Mesmo as que não são eruditas, como o funk: “Quando eu apresentei violino para eles, acharam que seria diferente. Eu toquei para eles o que a gente escuta no nosso dia a dia, para mostrar que é possível. A música é uma forma de expressão. Você toca o instrumento e ele é a sua voz”, completou.   

A música transformou a vida de Izandra que encontrou a sua vocação no violino. E, assim, como encontrou professores e amigos que a incentivaram a continuar com os estudos, a jovem espera poder fazer o mesmo para outros pequenos que têm histórias semelhantes à sua: “Sou negra, da periferia. Minha realidade com a música é não fazê-la só para mim, mas para quem eu puder ajudar. A música torna as pessoas melhore”, disse. “Eu quero poder retribuir com os meus alunos e também com o meu trabalho. Eu disse para os meus alunos, que se eles se dedicarem bastante, tem retorno”, contou. “Estudar tem retorno." 

Para conhecer mais do trabalho de Izandra, basta acompanhar nas páginas do Facebook e Instagram


Além de estudante da Ufrgs, Izandra dá aulas de violino. Foto: Arquivo Pessoal / CP