Mulheres estão fumando mais cigarro eletrônico, mostram dados do Ministério da Saúde

Pesquisa foi apresentada em evento alusivo ao Dia Mundial sem Tabaco

De acordo com o Ministério da Saúde,  2,5% das mulheres adultas usam vape
De acordo com o Ministério da Saúde, 2,5% das mulheres adultas usam vape Foto : Freepik

O consumo de cigarros eletrônicos, os chamados vapes, entre adultos se mantém estável no Brasil, mas o hábito está em baixa entre os homens e em alta entre as mulheres. É o que mostram os dados do Vigitel (Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico), levantamento realizado desde 2006 pelo Ministério da Saúde.

De acordo com a pesquisa, em 2024, 2,5% das mulheres maiores de 18 anos usavam cigarro eletrônico diariamente ou ocasionalmente. O dado leva em conta apenas os moradores de capitais.

Desde que o consumo dos chamados vapes passou a ser monitorado pelo Vigitel, em 2019, este é o maior nível registrado. No ano anterior, 1,4% das mulheres faziam uso dos dispositivos.

Os dados foram apresentados no evento de lançamento da campanha “Cigarros eletrônicos e aditivos: sabores e aromas que promovem e perpetuam a dependência de nicotina”, promovido pelo Ministério da Saúde e pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca) em alusão ao Dia Mundial sem Tabaco, lembrado em 31 de maio.

“A gente observou uma desigualdade entre homens e mulheres. Mesmo sendo não significativo, porque o percentual é muito baixo e os intervalos de confiança se sobrepõem, as mulheres passaram a fumar mais cigarro eletrônico comparado a anos anteriores. Então, chama nossa atenção e nossa reflexão para nossa intervenção”, avaliou a diretora do Departamento de Análises Epidemiológicas e Vigilância de Doenças Não Transmissíveis do Ministério da Saúde, Letícia Cardoso.

A diretora destacou que o consumo de cigarros eletrônicos entre adultos, no geral, se mantém estável. “Na média, a gente está estável. A gente tem um aumento de 2,1 para 2,6 de 2023 para 2024, e esse consumo é maior entre os mais jovens.”

Entre os homens, os dados mostram uma leve redução em relação ao ano anterior, de 2,9% para 2,6%. Em 2020, o percentual de homens adultos usuários de cigarros eletrônicos chegou ao pico, com 3,7%.

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Alerta em relação ao uso de vapes

Durante o lançamento da campanha, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou os impactos do tabagismo na saúde das pessoas e nos sistemas nacionais de saúde do mundo como um todo.

“Quando a gente compara o uso desses dispositivos aqui no Brasil e em países que liberaram a utilização e tentaram regulamentar de alguma forma, chega a ser quatro, cinco, seis vezes maior, proporcionalmente, a utilização”, alertou.

A campanha tem por objetivos informar o público sobre os malefícios dos produtos de tabaco e nicotina e sobre os danos que os cigarros eletrônicos causam à saúde, incluindo ao pulmão, ao coração e a outros órgãos, além de ampliar o conhecimento da população sobre os efeitos dos aditivos de sabor e aroma na iniciação ao tabagismo e no aumento da dependência.

“Os produtos de nicotina e de tabaco são altamente viciantes e prejudiciais. Cigarros eletrônicos e aditivos são formas de atrair mais as pessoas para o tabagismo. É necessário reforçar com a sociedade que produtos fumígenos, em todas as suas formas, fazem mal à saúde”, destacou o Inca, por meio de nota.