Agro moderno para superar desafios históricos

Agro moderno para superar desafios históricos

Por Gilkiane Cargnelutti*

Gilkiane Cargnelutti

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Todos os anos, aproveito as férias para retornar às origens e acompanhar um pouco da rotina do campo, conhecendo mais sobre os processos que envolvem a agricultura e a pecuária. Sem chuva suficiente nas lavouras, nesse ano o que mais se vê no Interior é preocupação com a estiagem. São grandes os prejuízos nas plantações e as dificuldades para abastecer zonas rurais onde poços e açudes secaram.

O agronegócio é uma indústria a céu aberto e a produção agrícola está suscetível às intempéries do tempo. Porém, mesmo nos momentos de crise, são evidentes os motivos pelos quais o setor segue avançando. Em meio à pandemia, a produção brasileira de grãos alcançou 252,3 milhões de toneladas e o PIB do agro atingiu 10,8% em 2021, o que representa R$ 238 bilhões. Em 2022, a previsão é de crescimento, mesmo com as incertezas no cenário político e econômico. 

Resultado dos investimentos em tecnologia para aperfeiçoar o manejo, agregando valor e elevando o volume produzido numa mesma área. Permita-me fazer um parêntese: o Brasil é um dos países que mais preserva vegetação nativa. Entendo que talvez algumas pessoas não estejam preparadas para essa conversa, mas a verdade precisa ser dita. Segundo estudos realizados pela Embrapa, as áreas dedicadas à preservação somam 282,8 milhões de hectares e representam 33,2% do território brasileiro.

Se fizermos um comparativo, a extensão das áreas protegidas equivale a 54% de todo o território europeu. São dados. Informação. E contra fatos não há argumentos. Mas os desafios para a próxima safras são grandes. Os custos de produção devem ser os maiores da história, puxados pelos aumentos nos preços dos insumos e até do crédito rural, que ficará mais caro com a elevação dos juros.

Se não há como controlar os fatores climáticos, precisamos ter políticas públicas efetivas para auxiliar o setor em períodos de instabilidade. As margens de lucro podem encolher, mas não serão capazes de fazer os produtores rurais abandonarem sua vocação de produzir alimentos, gerar riquezas e garantir o futuro da nação.

*: Jornalista


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