As lições da Expointer

As lições da Expointer

Por Gilberto Jasper*

Correio do Povo

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O setor responsável pela resistência da economia gaúcha em tempos de pandemia voltou a sorrir. O retorno do público nesta 44ª edição da Expointer reacende a esperança da agropecuária nesta que é a maior feira a céu aberto da América Latina. Alguns dirão que o movimento de visitantes e de expositores, animais e negócios está longe “dos bons tempos”. É verdade, mas a retomada deste encontro do campo e da cidade é um alento diante dos percalços que duram 18 meses.

A limitação de público e o cumprimento dos protocolos sanitários ratificam o compromisso com a segurança, através de pesados investimentos. Inúmeras atividades que tinham como atrativo a afluência de multidões de ruralistas, trabalhadores, pequenos produtores e gaúchos urbanos foram suspensas da programação. A impossibilidade do Parque Assis Brasil lotado nos fins de semana não foi empecilho para o fechamento de grandes negócios. Animais e máquinas encheram de esperança o agronegócio, já acostumado a percalços típicos da atividade.

Homens, mulheres e jovens do campo nasceram sob o signo do imponderável das condições climáticas, oscilações de preço do mercado e dificuldades inerentes à produção primária. Planejamento é tão importante quanto desafiador. Exige equilíbrio na ousadia dos investimentos e cautela para os períodos de “vacas magras”.

A maior vitrine da produção primária de Esteio é o grande encontro de gaúchos de todas as querências. De jeans, terno, pilcha, calça de couro, bota e espora ou camiseta, os rio-grandenses respeitam esta gente que ignora mau tempo, mesmo em finais de semana ou feriados, para abastecer nossa mesa, gerar emprego e divisas para o RS e o Brasil. A tradicional entrega dos prêmios Destaques Correio do Povo deste ano terá o tempero da esperança de dias melhores e a certeza do recomeço seguro e fecundo. Homens e mulheres do campo são resilientes, adaptáveis às agruras desta atividade tão nobre quanto desafiadora.

Diante dos pessimistas, a 44ª Expointer é mostra da pujança de quem demarcou as fronteiras do Rio Grande. É um sopro de confiança do que ainda advirá do agronegócio. A pandemia trouxe um rastro de tristeza e de perdas, mas semeou a esperança “da volta por cima”. Com solidariedade, empatia e recordes de safras e de negócios.

*Jornalista


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