Não podemos deixar o IPE naufragar

Não podemos deixar o IPE naufragar

Por Dr. Thiago Duarte*

Dr. Thiago Duarte

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São cobertos pelo IPE-Saúde 1,1 milhão de beneficiários. Hoje a autarquia passa por uma crise financeira que acumula quase meio bilhão de reais em déficit. Atrasos nos pagamentos e a defasagem nos valores dos honorários médicos põem em risco até mesmo a qualidade do atendimento. Já temos inclusive gestantes cobertas pelo IPE que acabam fazendo seu parto através do SUS e médicos recebendo honorários por visitas hospitalares que não cobrem o valor do estacionamento do hospital. Esta situação de sub-remuneração de profissionais da saúde está insustentável e pode acarretar na evasão acelerada de profissionais, especialmente os mais qualificados e experientes que hoje atendem pelo IPE.

Se o grande volume de pacientes cobertos pelo IPE migrar para o SUS, vai sobrecarregar o SUS e agravar a situação, que já é muito complicada com o grande número de pacientes cujos atendimentos ficaram represados durante a pandemia e que agora engrossam as filas de espera por cirurgias eletivas e atendimentos especializados. O SUS também sofre com a sobrecarga de pacientes cujo número aumentou devido à crise econômica. Um grande número de pessoas que perderam seus empregos, no ajuste de contas doméstico-familiar, com a renda reduzida, cortaram o investimento em planos de saúde, migrando para a saúde pública e aumentando a fila de espera.

O IPE em épocas de vacas gordas foi parceiro na pavimentação de estradas e construção de casas. Não podemos, no momento de dificuldade da instituição, virar as costas a ela, sob pena de causar um tumulto perigoso na saúde pública. A hora é de colocar novos recursos na saúde, de nos mobilizarmos para normalizar o atendimento, pois deixar o IPE naufragar em dívidas é irresponsável.

Existem soluções administrativas. Uma delas seria usar a Loteria do Estado do Rio Grande do Sul (Lotergs), inicialmente criada pelo então Presidente da República Rio-grandense, Bento Gonçalves, suspensa no governo Rigotto, e que pode ter pelo menos parte dos recursos amealhados por ela destinados para a saúde no RS.

Médico gineco-obstetra, médico perito legista, advogado e deputado estadual*


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