O horror e a lembrança

O horror e a lembrança

Por Roberto Wofchuk*

Correio do Povo

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No dia 27 de Janeiro celebra-se, em diversos países do mundo, por decisão da Assembleia Geral das Nações Unidas, o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto. Consistiu o Holocausto, em hebraico a “Shoá”, no extermínio de 6 milhões de judeus, pelo regime nazista, durante a Segunda Guerra Mundial. Levados para campos de extermínio, eram mortos e depois incinerados em fornos crematórios ou enterrados em valas comuns.

A intenção da ONU foi dupla: homenagear a memória das vítimas e, também, transformar a lembrança deste horror num momento de reflexão e aprendizado para toda a humanidade. Afinal, tratou-se de extermínio planejado, executado de forma sistemática, não por monstros ou figuras mitológicas, mas por seres humanos. Diga-se de passagem, foram mortos não apenas judeus, mas várias outras minorias, como ciganos, negros, homossexuais, dissidentes políticos.

Numa hora crucial para a humanidade, que sofre com a pandemia do coronavírus, vemos o mundo mergulhado em terrível momento, em que vicejam regimes nacionalistas, violentos, quando ocorrem reiterados atos de discriminação, xenofobia, racismo estrutural, ódios causados por ideologias, tudo pontuado por guerras de notícias falsas, com antagonismos e polarizações que nada constroem.

Vital entender como o povo alemão foi levado a escolher Hitler e seus asseclas, que sempre deixaram claro o que iriam fazer. Não houve enganos. Todos sabiam como seria e todos sempre souberam como estava sendo enquanto os campos funcionavam. As lições do Holocausto devem ser estudadas, para que com elas aprendam as novas gerações. A cada ano que passa, mais distante ficamos dos fatos e, por isso mesmo, cada vez que podemos falar do tema, repetimos, à exaustão, o que ocorreu .

Como disse Elie Wiesel, grande escritor e sobrevivente do Holocausto, “sempre precisamos escolher um lado; a neutralidade ajuda o opressor, nunca a vítima”. Nosso lado está escolhido, é o da humanidade, do respeito às diferenças, da aceitação do outro. Seria oportuno que a lembrança pudesse servir à humanidade, para que não se repita o erro de permitir que um povo inteiro escolha líderes falsos ou exóticos, capazes de levar ao único desfecho destes vis regimes, que é a tragédia e o horror.

*Advogado e vice-presidente da Federação Israelita do Rio Grande do Sul


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