Os desafios para consolidar direitos das pessoas com nanismo

Os desafios para consolidar direitos das pessoas com nanismo

Por Sergio Peres

Correio do Povo

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A data de 25 de outubro marca o Dia Nacional de Combate ao Preconceito contra as Pessoas com Nanismo. Reconhecemos os avanços da medicina e da tecnologia, que permitiram melhorar a qualidade de vida dos cidadãos, e verificamos a ampliação do debate acerca de políticas inclusivas e do respeito à diversidade. Contudo, viver com nanismo no Brasil ainda requer um esforço extraordinário. O nanismo é considerado uma doença rara, causada a partir de uma anomalia genética, nem sempre hereditária, que não afeta a capacidade intelectual do indivíduo. Estamos falando de um universo complexo, que registra, hoje, cerca de 200 tipos de nanismo em todo o mundo. A falta de mapeamento populacional dessa deficiência no Brasil é identificada como um dos fatores que mantêm as pessoas com nanismo alijadas da pauta de ações do poder público.

Na última semana, realizamos audiência pública da Comissão de Cidadania e Direitos Humanos, colegiado presidido por mim na Assembleia Legislativa, para tratar de alternativas para consolidar os direitos das pessoas com nanismo. Entre os participantes do debate, foi consensual o posicionamento sobre a necessidade de instituir a Semana Estadual da Pessoa com Nanismo. É o ponto de partida para construir espaços de discussão, trazendo à luz de nossas instituições e da sociedade a urgência em combater o preconceito e garantir o acesso ao atendimento multidisciplinar.

Hoje as pessoas com nanismo têm como principal estratégia de luta o ativismo por meio de associação das famílias que enfrentam dificuldades de toda a ordem. Equipamentos públicos, como ônibus e banheiros, já contemplam acessos para cadeirantes, mas ainda não estão preparados para o uso de pessoas com nanismo. Além das barreiras arquitetônicas, que impedem a acessibilidade, existe a barreira social verificada na satirização das pessoas com nanismo. É um modelo cultural perverso, que agrava, ainda mais, as condições de vida desses cidadãos e aumenta a responsabilidade de todos nós na luta contra a discriminação. Que saibamos assumir juntos a missão de fazer valer direitos, garantir o atendimento integral, combater preconceitos e promover a empatia.

*Deputado estadual


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