Os impactos da seca e da alta do custo de produção para o consumidor

Os impactos da seca e da alta do custo de produção para o consumidor

Por Deputado Elton Weber (PSB)*

Deputado Elton Weber

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O Estado enfrenta uma das piores secas de sua história, com mais de 85% dos 497 municípios em situação de emergência e perdas de 41% na safra de verão, segundo a Emater/RS. A projeção inicial indicava a colheita de 33,6 milhões de toneladas de grãos, entretanto, a falta de água derrubou esta expectativa para 19,56 milhões de toneladas, sendo a soja, principal cultura, a que registra a maior quebra, de 52%. O cenário é agravado pela explosão nos custos de produção. Somente em 2021, a alta de preços superou 200% em alguns insumos utilizados nos principais cultivos.

Outro tormento para quem produz alimentos são os preços dos combustíveis, que causam impacto duplo, na compra de matéria-prima e na venda da produção. Todo o brasileiro entende isso. Desde o início de 2021, a Petrobras modificou 16 vezes o valor da gasolina e 12 vezes o do diesel. Até a primeira quinzena de março, o reajuste acumulado da gasolina, entre aumentos e reduções, é de 68,6%. No caso do diesel, 64,7%, desconsiderando o recente reajuste de março.

Além do endividamento agrícola e do desespero do agricultor que teve sua renda fortemente impactada, essa conta chegará ao consumidor em breve. A elevação de preço dos alimentos terá como consequência a perda do poder de compra das famílias. Em fevereiro, segundo o Dieese, o valor da cesta básica em Porto Alegre foi de R$ 695,91, comprometendo 57,41% do salário mínimo. Já os principais índices de inflação indicam, mais uma vez, o estouro da meta estabelecida pelo mercado financeiro para 2022 e previsto pelo Banco Central em 5,6%. A inflação registrou alta de 1,01% em fevereiro, a maior variação para o mês desde 2015 (1,22%).

É muito difícil viver em meio a tanta incerteza e falta de planejamento. Precisamos de políticas públicas permanentes como, por exemplo, as de irrigação e reservação de água. Políticas que propiciem segurança de renda no campo e impulsionem o desenvolvimento deste setor que garante a comida na mesa da população. E que, apesar dos obstáculos, segue protagonista da economia brasileira. A persistir este cenário, é grande o risco do agricultor, dos seus filhos, abandonarem a atividade, migrarem para os centros urbanos, o que reduziria a oferta de alimentos, elevando seus preços, e sobrecarregaria as cidades com pessoas em busca de emprego e serviços como educação e saúde. Este é um assunto que diz respeito a todos nós.

Presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária Gaúcha da Assembleia Legislativa*


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