País rico, povo pobre

País rico, povo pobre

Por Lasier Martins*

Correio do Povo

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Ainda haverá dúvidas de que o Brasil é um país muito rico em todos recursos: abundantes terras férteis, produção de alimentos, subsolo repleto de minérios, florestas tropicais, fartura de fontes de água doce, lindas praias, turismo, parque industrial, extraordinária biodiversidade, inexistência de fenômenos sísmicos, povo trabalhador, talentos pessoais em todas as áreas. Mas, então, qual será a causa de tamanha contradição, país rico e mais da metade da população pobre? Haverá algum mistério? Nada disso, as causas são conhecidas, mas nunca resolvidas, tornando esse Brasil continental tão injusto.

Não tenho dúvida de que a causa primeira do atraso é o descumprimento da Constituição Federal, com particular desobediência do seu artigo 37, espécie de pilar garantidor das boas políticas e corretas gestões de toda natureza. Art. 37 - “A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência.”

É evidente que as administrações públicas dividem os deveres legais com as iniciativas privadas. Aqui está o monumental desafio. Enquanto não se cumprir a Constituição em seu dispositivo mais largo, continuaremos sendo uma nação de más políticas, de desigualdades, de pouca educação que transforma, república do fisiologismo, do patrimonialismo e do corporativismo, país das perversas mazelas, instabilidades econômicas, omissões parlamentares, abusos com o dinheiro público, orçamentos secretos, desvios, desperdícios, privilégios, conluios, invasões de poderes, engavetamentos de processos judiciais, trocas de favores, impunidades, corrupções, enfim.

De tudo isso, resultam as desigualdades, a falta de prioridade às verbas para o interesse público, a carência de mão de obra capacitada, desemprego e subemprego, baixos salários, bolsões de miséria e de analfabetismo, proliferação das drogas, injustiças, sofrimento. Para mudar esse sombrio cenário, todos devem cumprir os princípios da legalidade, da moralidade e da transparência. Sem isto, tudo seguirá igual. Tristemente.

*Senador


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DESDE 1º DE OUTUBRO 1895