Como ter um passeio tranquilo com o pet
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Como ter um passeio tranquilo com o pet

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5421724592_bb1d208f2e_bQuando faço a pergunta “vamos passear”, o que vejo é o seguinte:


1. Uma orelha em pé e a outra baixa


2. A cabeça levemente inclinada para o lado direito


3. Um toco de rabo que não para de se contorcer para todos os lados


4. Uma corrida até o local onde fica a guia.


Logo após eu falo, “Cristal, senta”. Ela senta. Eu coloco a guia nela e saímos de casa. Assim que peço o “senta”, a minha cachorrinha se acalma e nosso passeio flui de maneira tranquila e divertida.


Infelizmente, a situação que relatei acima não é rotina para grande parte dos tutores. Para muitas pessoas, o passeio é um verdadeiro transtorno. Um momento que deveria ser de socialização, descontração e exercício acaba tornando-se um martírio. No entanto, com algumas dicas, o passeio pode melhorar e ser um momento agradável.


Muitos cães ficam agitados só de ouvir a palavra “passear” ou ao ver a guia e a coleira. Para esses cães, é necessário dessensibilizar esses marcadores. Pegue a guia e diga “passear”, sempre que não for sair de casa com o peludo. Em seguida, guarde a guia e volte a fazer outras coisas. No início, ele vai achar estranho, ficar eufórico e depois frustrado. A ideia do treino é deixá-lo calmo antes do passeio. Com isso, ele passará a associar que nem sempre que a guia aparece é para sair de casa.6235465798_d926b50e31_b


Treinamento


Comece passeando dentro de casa, mostrando ao cão como o passeio deve acontecer. Coloque a coleira e a guia no pet e deixe que ele fique posicionado ao seu lado, de maneira que a guia fique frouxa (não tensione nem encurte a guia). Dê alguns passinhos (de dois a três) e, se o cachorro acompanhar com a guia frouxa, dê um petisco para recompensar.7004630225_20aa979b61_b


Comece na sala, vá até a cozinha, vá para os quartos e assim sucessivamente. Se ele puxar, simplesmente pare de andar e aguarde o cão entender que enquanto a guia estiver esticada o passeio não prosseguirá. Quando o cão afrouxar a guia, olhando de volta para você, volte a andar. Se ele não acompanhar o raciocínio, dê uma ajudinha: bata na perna chamando-o e assim que ele vier ou afrouxar a guia continue o passeio. Outra sugestão é mudar repentinamente de direção, várias vezes durante o trajeto. Assim, ele terá que prestar atenção em você para saber para onde deve ir.15285976617_7311fd8ef0_b


Realizado o passo a passo acima, leve-o até a porta de casa, mas não permita que ele saia antes de você. Caso ele tente sair, dê meia-volta, traga-o novamente para dentro e faça-o esperar. Se o pet já souber os comandos “senta” e “fica”, você pode pedi-los nessa hora. Se o cão ficar descontrolado ao sair de casa, então, volte para dentro e aguarde o peludo se acalmar. Uma dica legal é cansar o pet antes de ir para o passeio, pois, assim, o cão fica menos disposto a puxar e diminuí as chances de ficar descontrolado.


A rua tem muitos estímulos olfativos, sonoros e visuais, por isso, o ideal é iniciar os passeios externos depois que o cão já estiver andando com mais calma dentro de casa. No início, realize passeios bem curtos e em locais tranquilos, pois será mais um treino do que lazer. Se possível, treine o cão em um momento que ele esteja com bastante apetite. Você pode aproveitar um horário que o cão costuma comer para realizar os passeios. Ao notar que o passeio está fluindo bem, gradualmente, aumente o tempo e visite lugares com mais estímulos, como ruas mais movimentadas.


Quando o cachorro estiver andando do seu lado com a guia frouxa, ELOGIE-O MUITO! Fale com ele, dê o petisco e deixe que ele faça algo que goste muito – cheirar uma moita, marcar com xixi, cheirar outro cão, brincar com uma pessoa. Dessa forma, no médio prazo, usando reforços ambientais, você poderá se desvencilhar do petisco como recompensa.


Muitas vezes, o treino não dá tão certo por conta das ferramentas. Minha coleira favorita é a peitoral de treino: ela controla o cão sem enforcar ou apertar, facilitando a frustração quando o peludo puxa, pois a guia prende na frente e não nas costas. Outra que gosto muito é o cabresto, indicada para cães fortes, que além de puxar no passeio, são reativos (reagem com latidos e/ou agressividade para os estímulos externos).


Coleiras de pescoço eu costumo utilizar no caso de cães mais fracos, que cheiram o tempo todo, pois não é necessário usar muita frustração ou força. Enforcadores são polêmicos, é melhor evitá-los, já que as chances de machucar o cão são grandes, principalmente com pessoas inexperientes. As guias devem ser de material resistente, com mosquetão/engate confiáveis e bem costuradas (não coladas).


Por fim, passeie todo dia. É muito difícil para o cachorro não ficar ansioso para sair se ele só sai uma vez por semana. Uma das formas de acalmar o peludo é criando a rotina de sair diariamente, sem contar que assim terá condições de treinar um pouco todo dia. Lembre-se: atividade física diária é item obrigatório para o bem-estar canino. Bons passeios!


Por 5421724592_bb1d208f2e_bTiago Cardoso, adestrador da Cão Cidadão


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