Perspectiva e realidade

Perspectiva e realidade

Renato Rossi

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UM LUGAR COMUM

2020 passou e não deixou saudades. Deixou traumas, mortes e o medo espalhado pelo planeta que enfrenta seu maior desafio desde que os dinossauros exterminados pelo meteorito que era extraordinariamente enorme e foi a ultima imagem que o dinossauro curioso diante daquela “bola de fogo” quem vinha de cima, teve antes de se despedir para sempre do planeta.

Mas agora é o micro organismo só visível em poderosos microscópios eletrônicos que devora a humanidade de dentro para fora. Se o vírus é destrutivo para a vida humana também gera efeitos colaterais terríveis em relação a economia global.

Um dos setores mais atingidos pela pandemia é o da produção e distribuição de veículos pelo mundo. Seguimos de perto a Industria automobilística em visitas a fábricas contingenciadas no Brasil. Senti de perto o quanto as grandes marcas lutaram para sobreviverem a catástrofe. As duras penas mas com perdas financeiras extraordinárias.

Somente no período de março a junho, o auge da primeira onda, o grupo Volkswagen tinha um prejuzido de 2.7 bilhões de euros a cada semana. Para se manterem operacionais as grandes marcas automobilísticas tomaram medidas sanitarias extrema. O protocolo de segurança global da Volkswagen estabelece 100 medidas preventivas a serem exercidas nas fabricas do Grupo pelo mundo. Os operários continuam sendo testados de hora em hora e qualquer sinal de contaminação significa a parada de toda a fabrica.

Já os executivos que são uma "reserva de valor" nas montadoras, trabalham contingenciados em home office. E a realidade de uma montadora passa para a câmera lenta com grande queda na produção de mais de 40% em 2020.

PERSPECTIVAS AINDA SOMBRIAS

O que se estranhou no inconsciente Coletivo, freia a consumo. E provoca uma profunda reflexão sobre tudo que cerca e integra a vida humana. No Brasil, segundo país mais contaminado do mundo a indústria automobilística contabiliza uma queda de mais de 30% em vendas. O que é excessivo para uma produção que mesmo sem pandemia não ultrapassaria a 2.5 milhões de unidades. Ficou então em 1.9 milhões, um número medíocre para um pais de mais de 200 milhões de pessoas.

O mercado automobilístico desacelera e pode parar se medidas drásticas de redução das contaminações não forem tomadas. O medo da morte é um tremendo freio ao consumo. A cara do drama com mais de mil mortes por dia gera a incerteza em relação ao futuro.

Para a Indústria automobilistica a única certeza é que os bilhões investidos em fábricas, robotização, nas linhas de montagem, tecnologia digital 4.0, que permite que novos projetos sejam feitos totalmente na virtualidade. Ou o custo bilionário do treinamento e formação da mão de obra para a indústria automobilística na unidade industrial da Jeep em Goiâna, Pernambuco. Onde milhares de jovens filhos de "cortadores de cana" e pequenos agricultores, da região onde se localiza a fábrica na "mata norte", de grandes plantações de cana tiveram a opotunidade de cursarem universidade em Recife. 

A FCA estabeleceu diversas parcerias com Universidades em Pernambuco. Mas tudo isto custa muito para uma indústria automobilística que não pode sobreviver sem mercado num ambiente disruptivo e assolado pelo vírus.

A CHEGADA DO ELÉTRICO

A indústria automobilística enfrenta a partir do primeiro semestre de 2021 as leis ambientais cada vez mais rígidas no mundo. Os bilhões de toneladas de monóxido de carbono, dióxido de carbono e outras toxidades nocivas a vida, devem ser eliminados no máximo ate 2030.

Quando a legislação anti poluição da comunidade europeia exigira o carbono zero. Que só pode ser alcançado na produção de milhões de veiculos elétricos. No segundo semestre deste ano entra em vigor o Euro 7, a mais dura das legislações ambientais que exige que toda a frota produzida na Europa não emita mais do que 95 gramas de dióxido e monóxido de carbono por quilômetro rodado.

Este contexto restritivo induz a rápida eletrificação da frota europeia, cuja expansão exigira a instalação de milhares de pontos de recarga para as baterias pelo território Europeu (o que já acontece). A Renault em sua unidade industrial de Flins na França, já produz uma nova geração de baterias com maior autonomia e tecnologia inovadora.

A Renault lançou sua primeira linha de carros elétricos em 2011. Depois desacelerou o elétrico para retoma lo neste mundo que tem duvidas, mas também a certeza de que o futuro será elétrico, porque a eletricidade? Parace uma escolha óbvia já que motores elétricos são utilizados há décadas e provaram sua eficiência. Tem 70% menos componentes em relação ao motor a combustão, não há engrenagens e rolamentos que produzam ruídos.

Em breve todos o sistemas do carro elétrico serão comandados online. E isto eliminara componentes em aço como o câmbio e eixos.

O MINI TOYOTA EM PLÁSTICO

No dia 25 de dezembro a Toyota mostrou em Tóquio ao mini carro elétrico produzido em plástico e materiais leves. Com o equivalente em watts a 27 hps, o carrinho acomoda com conforto ate quatro passageiros e sua autonomia de 120 quilômetros permite que seja o companheirinho, quase um mimoso cachorrinho em forma de automóvel.

O mini Toyota é seguro e tem custo operacional super reduzido. Mas a Indústria automobilística sabe que passar da era dos velozes e furiosos bebedores de petróleo e poluidores para a era do absoluto silêncio e enorme eficiência dos carros elétricos não sera uma tarefa fácil na perspectiva do desenvolvimento tecnológico. Mas na perspectiva de um mundo livre da poluição ambiental e sem queimadas. Então será um mundo onde finalmente os humanos que sobreviverem ao Covid poderão viver em paz. Na medida em que o carro elétrico se afirma no mercado e a produção se amplia o preço sera competitivo. E isto acontecera em um curto espaço de tempo. A final, convem reiterar, sob leis ambientais, que, a partir de 2030 so admitirão o carbono zero, o carro elétrico será a principal opção. Não a única mas a que esta mais próxima e já disponível.


Correio do Povo
DESDE 1º DE OUTUBRO 1895