Promessas vagas

Promessas vagas

Conferência da ONU cria expectativas sobre ações contra o aquecimento global

Renato Rossi

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A COP26, que acaba hoje, lega ao mundo a imagem da esperança. Nos milhares de jovens reunidos nas ruas da gélida Glasgow que empunhavam cartazes pedindo a redução do aquecimento global. Estes jovens afirmavam que a natureza não pode crescer na hostilidade em relação aos seres humanos. O cenário global neste 2021 não foi amigável, foi hostil demais. 

As catástrofes climáticas acabaram com vidas, propriedades, e a economia sofreu consequências das mudanças climáticas. Das enchentes que destruíram pequenas e encantadoras cidades na Alemanha à desgraça econômica de milhares de residências perdidas nos terríveis incêndios na Califórnia. Se nos anos 80 as companhias de seguros pagavam, em média, 1 bilhão de dólares a cada três meses para cobrir perdas com tragédias do clima, agora pagam 1 bilhão em indenizações a cada três semanas. 

A COP26 termina com promessas, mas os jovens de Glasgow e do mundo querem ações politicas já, assim como os cientistas da Conferência. São estes jovens os mesmos que rejeitam o automóvel fossilizado. Nas pesquisas mercadológicas da indústria automotiva, estes jovens preferem andar de bicicleta, mas admitem o carro elétrico. A China, maior poluidor global, saiu da COP26, assim como os Estados Unidos, com promessas vagas. A China terá a maior frota elétrica do mundo a partir de 2025, mas 80% da energia no país vem do carvão. E Joe Biden acaba de renovar as licenças para extração de carvão nos EUA. Nem as petroleiras se comprometem a desativar as centenas de plataformas espalhadas pelos oceanos. Na COP26 ficou mais uma vez evidente a posição do poder econômico.

 


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