De olho nos instintos
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De olho nos instintos

Filme indicado pela Holanda para o Oscar 2020 centra a trama na relação entre uma psicóloga experiente e um paciente/prisioneiro, em momento crucial da vida do homem.

Por
Marcos Santuario

Premiado no Festival de Locarno e exibido no TIFF, em Toronto, na seção Contemporary World Cinema, "Instinto" ganha força com uma intensa e corajosa atuação de Carice Van Houten


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Em uma ousada estreia na direção, a atriz Halina Rejin coloca sua lupa pessoal na intensa relação entre uma psicóloga experiente e um encarcerado prestes a reconquistar a liberdade. Em "Instinto",  filme indicado pela Holanda para o Oscar 2020, a estória apresenta a psicóloga Nicoline (Carice Von Houten, a Melisandre, de “Game of Thrones”) que vai trabalhar em uma penitenciária, colocando à prova seus conhecimentos e sua própria sanidade.  Premiado no Festival de Locarno e exibido no TIFF, em Toronto, na seção Contemporary World Cinema, o filme ganha força com uma intensa e corajosa atuação de Carice, cuja personagem conhece Idris, ojovem prisioneiro, condenado por vários estupros e que está prestes a obter a sua liberdade condicional. Nicoline posta-se contra e começa um jogo manipulador entre os dois, podendo inclusive surpreender, ao subverter a lógica primária de vítima e abusador..

A prisão holandesa é o cenário em que a reservada terapeuta começa a aprofundar a relação com o detento, vivido por Merwan Kenzari, o Jafar de "Aladdin". Longe de tornar-se romance açucarado ou "50 Tons de Cinza" na cadeia, "Instinto" pode causar aquele desconforto instigante se o espectador se entregar à trama. O entorno, tanto dentro quanto fora das quatro paredes, também se torna importante personagem para mergulhar, sem se afogar, na complexidade dos personagens, de seus medos e de sua buscas. A sanidade e o controle pessoal, a relação familiar (mãe e filha) e os traumas adquiridos e definidores de alguns comportamentos também são elementos que constroem trajetórias e personagens. Tudo isso e mais, dentro de uma narrativa envolvente e que se apresenta mais questionadora do que sensual. Uma produção com mais tons realistas do que a maioria poderia gostar.