Drama musical em Brasília
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Drama musical em Brasília

“Ainda Temos a Imensidão da Noite” acompanha a personagem Karen, vocalista e trompetista de uma banda de punk rock em Brasília

Por
Adriana Androvandi

Ayla Gresta vive Karen no drama musical brasiliense

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“Ainda Temos a Imensidão da Noite”, filme de Gustavo Galvão (Brasil, 98 min), é um drama que acompanha a personagem Karen (Ayla Gresta), vocalista e trompetista de uma banda de punk rock em Brasília. Cansada de se apresentar em espaços alternativos quase sem público, ela resolve tentar a sorte em Berlim, seguindo os passos de um ex-parceiro do grupo que foi anteriormente.

A produção foi rodada parte no Brasil e parte na Alemanha. Em Berlim, ela vai viver um triângulo amoroso. Também encontra um grupo onde consegue explorar seu potencial artístico. Seu estilo experimental tem público na Europa, ainda que sua vida não seja fácil por lá.

Na semana em que se comemora o aniversário de Brasília (21 de abril), este filme, que chega ao streaming nesta quinta-feira (23 de abril), faz uma referência à capital brasileira com um foco distante do que normalmente se associa à cidade, como sede dos Três Poderes. Os personagens da banda de Karen são jovens que se encontram sem grandes perspectivas, sem espaços para a sua arte independente e pressionados pelas circunstâncias a tentar empregos formais, mas com poucas oportunidades.

A rebeldia de Karen é esta: quer ir atrás de seu sonho e não entrar “no sistema”. Ao contrário de alguns colegas, ela considera a arte essencial em sua vida e não apenas um hobby. Por esta razão, o filme é carregado de melancolia, trazendo à tona a frustração de muitos artistas sem palco. Aborda ainda uma transição cultural, em que o rock perde espaço para novos ritmos, com os quais as gerações mais novas se identificam, e espaços musicais que resistem começam a ficar sem público.

Apesar de ser uma ficção, o longa-metragem traz uma sequência em que a protagonista faz um show musical em uma das quadras do Plano Piloto de Brasília, o que remete a muitas bandas de rock que nasceram nos anos 80 e usaram destes espaços públicos, como Legião Urbana. A trilha musical contou com a banda Animal Interior (com composições de Munha da 7 e Nicolau Andrade).

A narrativa deixa claro o desencanto de uma classe artística que não encontra seu espaço e nem incentivo em seu país, o que tem se tornado cada vez mais atual. Neste ponto, a produção é crítica, sem ser panfletária.

O roteiro é assinado pelo diretor, Gustavo Galvão, nascido em Brasília, ao lado da cineasta gaúcha radicada em São Paulo Cristiane Oliveira e da alemã Barbie Heusinger. Este longa-metragem ganhou troféus de Melhor Fotografia e Melhor Montagem na Mostra Brasília BRB do Festival de Brasília e foi exibido no Cine Esquema Novo, em Porto Alegre. Está disponível no Now, Vivo Play e Oi Play.

 

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