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Suspense em alta

Diretora aposta em gênero que não é comum entre as produções contemporâneas do cinema brasileiro.

Por
Marcos Santuario

A produção brasileira reúne elenco que consegue dar andamento a uma narrativa ousada e intensa.

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Escrito e dirigido pela cineasta Gabriela Amaral Almeida, a mesma de "O Animal Cordial", seu novo trabalho "A Sombra do Pai" coloca em cena um gênero que não é muito explorado nas tradicionais produções brasileiras. Acostumada aos dramas, às comédias e aos romances, a produção nacional explora pouco o suspense e o terror. Gabriela reuniu Julio Machado (Joaquim) e Nina Medeiros (As Boas Maneiras) para contar a história de Dalva, uma menina de nove anos às voltas com o silêncio do pai, o pedreiro Jorge (Machado), que fica mais triste após perder o melhor amigo em um acidente.

Mas isso é pano de fundo para aboradar de forma intensa questões relacionadas à vida e à morte. Colocando a protagonista como fã de filmes de terror (Dalva), a realizadora já da rumo a acontecimentos e sentimentos que permeiam a trama. A jovem surge como um " subproduto de nossa sociedade patriarcal, em meio ao arquétipo do homem forte, viril, apolíneo, mas que no fundo não sabe amar, cuidar, chorar e nem, pedir ajuda,. Constraste entre o a´parentemente forte e a fragilidade real e profunda. O filme torna-se intensa expedriência entre o real e o imaginário. As atuações não comprometem a proposta narrativa de um roteiro que pode envolver e fazer pensar, sentir e, em alguns momentos, assombrar-se até.