Tormentos urbanos

Tormentos urbanos

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Um pesadelo. É num clima deste tipo que se sente o fotógrafo Henrique (Gustavo Machado), protagonista do filme brasileiro “Disparos”. Dirigido pela cineasta Juliana Reis, este thriller é inspirado em fatos reais e mostra cidadãos estressados frente a uma violência urbana cada vez mais atormentadora.
A história parte de um episódio noturno, em que o fotógrafo profissional Henrique vai fazer fotos para uma boate gay. Ao sair do local acompanhado por um amigo, ele é abordado, dentro do carro, por dois assaltantes de moto que lhe exigem a câmera fotográfica. Em seguida, uma caminhonete atropela os dois meliantes.
Perplexo, Henrique sai do local, mas depois se dá conta de que o seu cartão de memória da câmera ficou caído na rua durante o incidente e retorna. Um policial acaba acusando Henrique de crime de omissão de socorro, e ele vai parar na delegacia. Para completar a noite, tem de enfrentar um policial irônico, vivido por Caco Ciocler, que, por esta interpretação, ganhou o prêmio de Melhor Ator Coadjuvante no Festival do Rio 2012. No mesmo evento, este longa-metragem também foi premiado nas categorias de Melhor Fotografia para Gustavo Hadba e Melhor Montagem para Pedro Bronz e Marília Moraes.
Além da história central, o filme traz dramas secundários que convergem ao mesmo ponto. Neste drama de cunho quase testemunhal, a diretora questiona como sobrevivem as relações humanas quando expostas a altos índices de violência. A proposta de fazer uma crônica social é atingida, e “Disparos” faz uma crítica contundente à situação das metrópoles brasileiras. O mais trágico é que o espectador pode ver, na tela, um espelho do que ele ou alguém próximo já tenha vivido.

Por Adriana Androvandi

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