Transformando a história
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Transformando a história

Como já o fizera em "Bastardos Inglórios", mais uma vez Quentin Tarantino subverte e transforma a história

Por
Chico Izidro

Era Uma Vez em...Hollywood e trajetória do ator decadente Rick Dalton (Leonardo DiCaprio) e seu amigo e espécie de faz-tudo Cliff Booth (Brad Pitt).

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Como já o fizera em "Bastardos Inglórios", mais uma vez Quentin Tarantino subverte e transforma a história. Deu, é o máximo que posso dar de spoiler de seu novo filme, "Era Uma Vez em...Hollywood" (Once Upon a Time in...Hollywood), onde o diretor foca o final dos anos 1960, mais exatamente em 1969, na meca do cinema mundial, Los Angeles, e na trajetória do ator decadente Rick Dalton (Leonardo DiCaprio) e seu amigo e espécie de faz-tudo Cliff Booth (Brad Pitt).

Dalton fez sucesso na TV nos anos 1950, mas uma década depois vê a carreira em declínio, aceitando participar de produções como vilão e até mesmo tentar uma carreira no exterior, nos western spaghetti (olha aí homenagem a Clint Eastwood, que tentou a sorte na Itália em meados dos anos 1960). Aliás, o filme é cheio de homenagens e lembranças, como várias séries televisivas e filmes daquela época.  Calha ainda de a residência de Dalton ser localizada em Rodeo Drive, ao lado da casa do famoso diretor Roman Polanski e sua jovem esposa, a atriz Sharon Tate, vivida no filme por Margot Robbie. Sim, o famoso e infâme assassinato praticado pela Família Mason serve como pano de fundo.  

Brad Pitt está genial, DiCaprio vai bem (uma das melhores cenas é quando ele bate um papo com uma atriz mirim num set de filmagem - a garotinha remete a Jodie Foster). A outra é quando Pitt briga com Bruce Lee (Mike Moh), e que gerou muitos protestos da família do ator, morto precocemente aos 32 anos, em 1973. Toda a hora a tela é invadida por algum personagem famoso, seja Steve McQueen, Polanski, Charles Manson, Mama Cass. Não dá para piscar e também se exige um pouco de conhecimento. Outro destaque é a reconstituição de época, primorosa, detalhada. Está certo, Tarantino reconstrói a história, mas isso faz pensar...e se tais fatos não houvessem ocorrido ou impedidos?


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