Já pensou em compartilhar o seu guarda-roupa?
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Já pensou em compartilhar o seu guarda-roupa?

Armário compartilhado é uma nova forma de consumo consciente de roupas

Por
Lou Cardoso

Armário compartilhado OTRA VEZ funciona no Centro Histórico de Porto Alegre

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A moda tem se reinventado a todo instante em suas variáveis. Se as grandes grifes estão se conscientizando sobre a forma de produzir, apostando em meios sustentáveis e se livrando de processos que agridem o meio ambiente, os consumidores também estão aproveitando o momento para conhecer novas formas de ser fashion.

Além do surgimento de marcas autorais, que conseguem criar peças com materiais sustentáveis, os brechós têm sido uma alternativa na hora de renovar o guarda-roupa. Outras iniciativas são os sistemas de armários compartilhados. 

A iniciativa consiste em aluguel de roupas, onde a associada paga um valor mensal ou avulso para ter acesso a determinado número de roupas, que podem ser peças tanto casuais quanto de festa. Armário compartilhado tem ganhado espaço pelo mundo e no Brasil, mas não é muito conhecido em Porto Alegre.

Os armários compartilhados de Lena Library em Amsterdã é um exemplo de empresa bem-sucedida em terras estrangeiras. No Brasil, existe a Roupateca, em São Paulo, que se define como o primeiro guarda-roupa compartilhado do país.

Em Florianópolis, Santa Catarina, opera a Be-Trendy, onde o acervo é formado por peças especiais, algumas de marcas e vintage. Já no Rio de Janeiro, uma empresa conhecida é Magmov, que preza pela moda que não precisa ser descartável. Em suas páginas na Internet, é possível saber mais sobre a proposta e serviço de cada uma.

Na capital gaúcha, são conhecidos os negócios que alugam trajes de festa, mas iniciativas que envolvam peças casuais ainda não são tão comuns. Se depender da socióloga Bruna Stephanou, isso vai mudar. “Esse conceito de armário compartilhado já é consolidado na Europa, Estados Unidos e em São Paulo e Recife tem muitas iniciativas. Em Porto Alegre, eu conhecia um de luxo, no Moinhos, que não existe mais”, citou.

Criadora do “OTRA VEZ”, ela pesquisou outras 29 iniciativas brasileiras e decidiu colocar em prática o sistema na capital gaúcha. “É para você realmente desapegar e não consumir tanto. Ou seja, não incentivar o uso de recursos na fabricação de roupas e compartilhar peças, de fato”, contou. “Eu acredito muito no conceito, como realmente uma chance de a pessoa ser um pouco mais sustentável na sua vida”, completou.

Na ativa há quase quatro meses, o OTRA VEZ possui curadoria vintage, em que a maioria das peças tem uma pegada diferenciada. De acordo com a Bruna, o acervo de roupas é garimpado em brechós da capital gaúcha, além de contar com a ajuda de amigas que doam peças. “Eu quis aproveitar o que já estava no mercado. Geralmente as roupas são mais elaboradas, no sentido de a pessoa achar que vale a pena alugar e não comprar”, disse.

“Minha mãe me perguntou se eu usaria todas as roupas do acervo. Minha resposta foi não. Porque tem muitas coisas e estilos completamente diferentes do meu. Eu trouxe roupas únicas. Porque eu penso que tu não vais alugar uma roupa básica para usar por baixo de outra coisa”, explicou.

Como funciona? 

No caso do armário compartilhado da Bruna, há duas categorias: aluguel avulso e mensal. Na primeira, os valores dependem da peça escolhida, variando entre R$ 20 a R$ 80 em roupas casuais e R$ 110,00 a R$ 210,00 nas especiais. O prazo de uso é de até uma semana.

Já na assinatura mensal, o associado tem direito a três opções de pacotes entre R$ 60,00 a R$ 210,00, dependendo da quantia de peças que pretende levar. Aí o prazo para ficar com as roupas é de até um mês.

No acervo, é possível encontrar calças, vestidos, saias, blusas, casaco longo, macacão, roupas de festa, além de acessórios como bolsa e óculos. Dá para conhecer o catálogo disponível no site do OTRA VEZ ou no Instagram

Como é uma iniciativa nova, a divulgação do OTRA VEZ tem sido por meio de amigos e dos próprios consumidores. “A cultura do consumo é muito forte e o pessoal não está acostumado a alugar roupas casuais. Então eles alugam mais vestido longo de festa avulso do que pacotes mensais”, afirmou. “Mas a ideia é trabalhar um pouco com esse público e assim fazer eles enxergarem que vale a pena e que tudo se torna mais sustentável”, afirmou.