Moda plus size ganha diferentes espaços em Porto Alegre
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Moda plus size ganha diferentes espaços em Porto Alegre

Segmento tem buscado profissionalização e diversidade quando o assunto é moda

Por
Lou Cardoso

Tri Plus Squad promovem eventos em Porto Alegre em busca de união entre mulheres gordas

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A moda pode afetar a vida de muitas pessoas. No uso, na produção ou na venda, uma peça de roupa carrega um valor simbólico. Para o público plus size a moda tem cada vez mais aberto os braços. Mesmo que a passos lentos, esse mercado tem se expandido e vem marcando território em Porto Alegre. 

Em busca de renda extra, Viviane Lemos começou vendendo lingeries com tamanhos de 36 a 54 para as amigas e conhecidas. No entanto, ela percebeu que o retorno maior veio de mulheres que vestiam números maiores.

Foi aí que ela enxergou uma oportunidade e criou a feira de moda plus size BPSPOA. Na sua primeira edição, em 2016, a empreendedora sentiu que este projeto seria especial. “Foi muito bacanas vê-las viver a experiência que, como pessoas gordas, nunca tinham vivido: chegar em um lugar e tudo servir”, disse. “Ali me deu uma direção forte para onde eu deveria ir”, completou. 

Viviane criou feira voltada para público plus size. Foto: Jamile Francetto / Divulgação / CP 

Após dez edições liderando a BPSPOA sozinha, Viviane conta com o apoio da sócia Gisela Fonseca desde dezembro de 2018, com quem percebeu o verdadeiro valor do seu projeto. Se na primeira feira ela recebeu apenas 100 pessoas e teve ajuda de poucos produtores, hoje o público aumenta a cada edição, além de poder trabalhar, em média, com 25 expositores, entre moda, beleza e gastronomia.

“Não tem preço poder promover um evento que permite a uma pessoa gorda viver uma experiência que ela nunca teve. Na feira, ela tem o poder de escolha e isso é muito libertador. Tem muita gente que me comenta que mudou os hábitos de compra. Assim como eu também mudei. Eu só compro e consumo na feira. As pessoas que se aceitaram gordas, conseguem entender que está tudo bem com o corpo delas”, afirmou a organizadora. 

Profissionalização no mercado plus size

Assim como surgiu um evento físico para reunir as meninas gordas em Porto Alegre, outro projeto também mirou no mercado plus size. É o caso do Tri Plus Squad, formado por Daphne Constantinopolos, Gabriela Garcia, Gizela Fonseca, Juliana Mendes, Letticia Soares e Tali Bezerra, que tem como objetivo buscar a maior profissionalização do mercado plus size no Estado por meio da aceleração de negócios.

“A proposta do grupo é desenvolver e aplicar soluções capazes de conectar as empresas ao público gordo, garantindo que este seja reconhecido em suas necessidades e especificidades”, disse a jornalista Tali Bezerra. 

“Neste escopo entram, por exemplo, ações de publicidade e desenvolvimento de produtos e serviços com vistas ao empoderamento e à militância antigordofobia, bem como a inclusão, especialmente das mulheres gordas que ainda estejam apartadas do consumo e da ocupação de espaços.” 

Segundo Tali, as pessoas gordas sentem falta de espaços em que não se sintam julgadas ou menosprezadas pelo seu tipo físico. “Mantemos um grupo de WhatsApp com cerca de 150 mulheres gordas do RS. Semanalmente temos uma agenda compartilhada e acontecem eventos abertos. Recebemos mensagens cheias de emoção de várias integrantes que tinham vergonha de sair de casa e hoje podem aproveitar as companhias e amizades criadas no grupo para isso”, comentou. 

Um oceano de oportunidades para marcas e empresários

De acordo com Associação Brasileira do Vestuário (Abravest), o segmento plus size cresce 6% ao ano, com expectativa de expansão em 2019, podendo chegar até 10%.

O que, segundo Viviane, é um oceano de oportunidades para marcas e empresários. “Isso é super-relevante no mercado com uma economia fragilizada como é o caso do Brasil atualmente. O mercado consumidor é exigente e carente de bons produtos e serviços. Não basta só aumentar a numeração. As pessoas gordas não querem mais isso, elas querem moda com qualidade, bom caimento e modelagem”, afirmou. 

Feira BPSPOA ocorre em Porto Alegre oferecendo moda em tamanhos grandes. Foto: Dani Verdejo / Divulgação / CP

Para Tali, existe uma demanda da sociedade por isso, já que os gordos foram reprimidos por muito tempo. "Ao mesmo tempo, o mercado entendeu que existe quem compre e tem criado necessidades para este público, que tem respondido com avidez. Mas ainda vemos os consumidores do nicho questionando muito os preços praticados pelas marcas bem como a grade de numeração, que no Brasil é bastante irregular. Temos espaço para crescer e um público que ainda está tateando o mercado", disse. 

De acordo com a integrante do Tri Plus, o mercado da moda precisa aprender a se comunicar com o público plus size. “É comum que uma marca que fabrica peças em tamanho plus escolha como modelos pessoas magras ou, no máximo, curvilíneas. Como, então, um consumidor pode criar um relacionamento com a marca a ponto de querer consumir dela se não sabe como a roupa cairia em um corpo como o seu? Também é habitual o medo de tratar com o público, tendo, muitas marcas, o hábito de usar eufemismos, como gordinha, cheinho, grandes, quando o adjetivo gordo/a pode ser utilizado sem qualquer prejuízo”, citou.

Ela diz ainda que, no longo prazo, o mercado deve admitir o consumidor plus size como parte de seu público comum, sem araras separadas ou somente em lojas especializadas.

Evento voltado para empreendedores

Em agosto, Viviane promoverá o evento “O mercado Plus Size, para além da Moda – Criando oportunidades, entregando transformação” com a intenção de chamar a atenção de empresários, empreendedores, investidores e estudantes.

“É um desejo nosso de conversar com pessoas que não são gordas, mas que estão desenvolvendo produtos e serviços. A gente quer ressignificar alguns conceitos, mostrar as oportunidades que têm dentro do mercado e sinalizar sobre como investir neste segmento pode transformar a vida das pessoas gordas e de quem investe.” O evento ocorre dia 9, às 8h30min no Sebrae/RS. Os ingressos estão à venda neste link