Alcione: "Música boa, para mim, é aquela que me emociona, me toca a alma"
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Alcione: "Música boa, para mim, é aquela que me emociona, me toca a alma"

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"Eu sou muito orgulhosa de pertencer à latinidade dessa América de poderosas mulheres como Violeta Parra e Mercedes Sosa" | Foto: Eliseu Fiuza / Divulgação / CP


O bolero é um dos gêneros mais românticos e também melancólicos; nesta dualidade entre amor e desilusão, tão comum nas grandes história de amor. O estilo, que surgiu em 1883 em Cuba, com nomes como Pepe Sánchez, ganhou o mercado internacional com intérpretes mexicanos, como Armando Villarreal Lozano e Manuel M. Ponce. Na juventude da cantora Alcione, em São Luís do Maranhão, era o gênero que dominava o rádio. Por isso, aos 45 anos de carreira, a Marrom decidiu fazer o show Alcione Boleros, em turnê pelo Brasil. Com realização da Opus Promoções, o espetáculo chega a Porto Alegre nesta quinta, às 21h, Auditório Araújo Vianna (Osvaldo Aranha, 685); e em Novo Hamburgo, na sexta, no Teatro Feevale.  Para a apresentação na Capital, restam apenas ingressos em pé nas laterais a R$ 80,00, os quais podem ser comprados pelo site, Call Center: 4003-1212 ou na bilheteria do Teatro do Bourbon Country.

O show é dividido em quatro blocos, representados pelas quatro estações do ano (outono, inverno, primavera, verão), que serão entremeados com poesias de Elisa Lucinda (locução). Acompanhada pela Banda do Sol, a Marrom contará também com a participação especial de Sylvia Nazareth, atriz e cantora, na canção "A sombra do teu sorriso"/The shadow of your smile. No repertório interpretado em português e espanhol, estão clássicos do gênero, como "Gracias a la Vida" (Violeta Parra, na estação Outono), "Que Queres tu de Mim" (Jair Amorim/Evaldo Gouveia, na estação Inverno), "Segredo" (Herivelto Martins/Marino Pinto, na Primavera), e "Corsário" (João Bosco/Aldir Blanc, na estação Verão). Não irão faltar os sucessos da cantora com 45 anos de carreira e mais de oito milhões de discos vendidos (42 álbuns entre LPs e CDs e 9 DVDs): "Estranha Loucura", "Além Da Cama", "A Loba", "Mulher Ideal", "Faz Uma Loucura Por Mim", "Meu Ébano", "Gostoso Veneno", "Não Deixe o Samba Morrer". Nesta entrevista ao Correio do Povo, Alcione fala da paixão por boleros, mas sem esquecer a sua raiz de sambista, sobre os 45 anos de carreira, o autogerenciamento e também domínio das mídias sociais.

Correio do Povo: Por que a escolha de um repertório só de Boleros?
Alcione: Era um sonho antigo porque essas canções me remetem à juventude, em São Luis. Escutava essas músicas no rádio, e adorava... Algumas, inclusive, interpretadas por grandes ídolos que admiro até hoje. Mas foi difícil escolher, garimpar entre tantas pérolas .

CP: Quais as principais características de um bolero para os intérpretes e também para entrar na alma e na apreciação do público?
Alcione: Não existem fórmulas, música boa é música boa. Não existem gêneros ou estilos musicais mais importantes ou melhores. Música boa, pra mim, é aquela que emociona, me toca a alma. Ou que transmite alegria, faz dançar e, até, sonhar ou mesmo refletir...Música boa é, sobretudo, atemporal...Pode ser ouvida hoje ou em qualquer tempo. Viram "clássicos" depois de terem sido apenas sucessos, e continuam por aí atravessando os tempos para provarem isso...

CP: Gostaria de saber um pouco mais do repertório e também sobre a divisão do espetáculo em estações do ano.
Alcione: O repertório foi surgindo naturalmente porque essas canções, conforme mencionei, fazem parte da minha memória emocional. Elas tocavam nas rádios e eram hits de alguns dos maiores cantores, nacionais e internacionais. Quanto à poesia, somos fãs, todos lá em casa, desta grande poetisa que é Elisa Lucinda. Eu nasci em terra de poetas e adoro poesia. A minha irmã Solange Nazareth foi quem indicou Elisa. Nós curtimos demais o trabalho dela e foi lindo!

CP: O bolero é um gênero que surgiu em Cuba no final do século XIX e ganhou o mundo com músicos e intérpretes latinos. Uma das músicas do repertório é "Gracias a La Vida", de Violeta Parra. Feitas estas duas considerações, queria saber da importância do sentimento de latinidade, de pertencimento à América Latina neste show e neste momento político das Américas.
Alcione: Eu sou muito orgulhosa de pertencer à latinidade dessa América de poderosas mulheres como Violeta Parra e Mercedes Sosa, artistas incríveis e mulheres maravilhosas que sempre tiveram o sentimento de liberdade, de amor e de cidadania acima de tudo.

CP: A sua presença nas mídias sociais também é um dos destaques da sua carreira (quase 600 mil curtidores/seguidores no Facebook, por exemplo), bem como o fato de ter uma empresa própria de gerenciamento da carreira, a Marrom Music. Este é o presente e o futuro da música?
Alcione: Acho que é uma trajetória natural, no Brasil e no exterior os artistas estão criando suas estruturas, profissionalizando-se. Com as novas tecnologias isso ficou ainda mais fácil, e, ainda ocasionou uma celeridade na aproximação com o público, os fãs. Agora tudo é mais rápido, direto. E, no caso do meu escritório, era importante preservar minha obra, organizar minha história e ter maior liberdade para gerenciar tudo isso.

CP: Queria saber a sua opinião em relação aos gaúchos, público e compositores. Sabemos que Lupicínio está entre os seus compositores preferidos, mas queremos saber mais sobre a sua relação com o RS.
Alcione: Os gaúchos sempre tiveram uma troca de carinho imenso comigo. Gosto dessa terra, gosto dessa gente, da música e do jeito gaúcho que eles não abrem mão. Adoro isso!

CP: Como todo o artista é sempre uma inspiração para o seu fã, queria saber um pouco sobre o seu emagrecimento e dieta e se tens recebido retorno dos fãs sobre o assunto.
Alcione: Ah, todos estão interessados em saber da minha saúde, se estou bem, e fico muito agradecida por isso... Graças a Deus, estou bem sim! Com saúde, e seguindo as orientações do médico e da nutricionista que me atenderam, no final do ano passado, quando fui submetida a um cateterismo, em SP. Mas, felizmente, foi apenas um susto e, agora, está tudo ótimo, com as taxas zeradas. É bom esclarecer que fiz dieta e não cirurgia conforme algumas pessoas cogitaram. De quebra, além da saúde, que é o fator principal, tenho ganho elogios pela nova forma...mas não estou querendo me transformar em nenhuma modelo não, gente!

CP: E sobre o samba, vem algo novo por aí ou o momento é só de Boleros?
Alcione: O samba estará sempre presente em minha vida, canto em todos os meus shows. Mas, agora, o repertório está privilegiando alguns dos boleros mais lindos de todos os tempos, nacionais e internacionais. Sucessos que embalaram romances e foram interpretados por Cauby, Núbia Lafayette, Ângela Maria, Altemar Dutra, e tantos outros ícones da música brasileira. É um repertório primoroso, com canções reverenciadas que ultrapassaram décadas e tornaram-se hits no Brasil e exterior. No roteiro, também algumas inéditas como as belas canções de Roberta Miranda, "Amor Amigo", e "Quem Dera", de Júlio Alves, Márcio Paiva e Adalto Magalha.