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Felipe Cunha: "Topíssima sem dúvida é a materialização de muitos sonhos"

Protagonista da novela da Record TV contou em entrevista ao Correio do Povo como foi o processo de criação do personagem

Por
Luciamen Winck

Felipe Cunha interpreta primeiro protagonista de sua carreira em Topíssima

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Protagonista de Topíssima, da Record TV, o ator e diretor Felipe Cunha afirma que o personagem Antônio "é um belo presente". No início das gravações, precisou conciliar o trabalho que estava desenvolvendo na novela Jesus. Além disso, precisou passar por transformações físicas - perdeu 16 quilos - e foi conhecer de perto a rotina dos moradores do Vidigal e o trabalho de taxistas. Na produção, ele interpreta um rapaz de origem humilde que trabalha na região como taxista e sustenta a família desde a morte do pai. Em entrevista ao Correio do Povo, contou como foi o processo de criação do personagem.

CP: Como você conseguiu equilibrar as últimas emoções em Jesus com a escalação para a novela Topíssima?

Felipe: Não foi fácil. Comecei a preparação para viver Antônio na reta final da novela Jesus. Conciliava a criação de um novo personagem com o drama emotivo de outro. Para me dedicar somente ao Antônio, faltava gravar uma importante passagem - “A mulher adúltera” fruto de uma relação proibida entre Laila e Jairo. Essa passagem foi o fim da minha participação na novela. Ali me despedi do Jairo. 

CP: Você está interpretando o primeiro protagonista de sua carreira. Era um sonho? 

Felipe: Acho que o maior sempre foi viver do meu ofício, da minha arte. O protagonismo a essa altura do campeonato é um brinde a tantos anos nas coxias e nos palcos. Sou grato ao teatro e a tudo que as tábuas me deu. Elas formaram um artista consciente da importância do trabalho duro e dificuldades da profissão. 

CP: Participar de um projeto como Jesus mudou a sua relação com a fé? De que maneira? 

Felipe: Me sinto mais próximo de Deus. Não tem como não ser atravessado pela história. O Jairo se desculpava com Jesus por ter duvidado de seus milagres e implorava para que ele curasse a sua filha. Vivi de fato a possibilidade de transpor as paredes do meu quarto, levando através da imaginação minhas conversas solitárias e diária com Deus pro teti-a-teti. Foi transformador.

CP: Na Record, você teve participações em Milagres de Jesus, Os Dez Mandamentos, A Terra Prometida, Apocalipse e Jesus, além da minissérie Lia... O que ficará na lembrança de cada um dos trabalhos?

Felipe: Ficam os amigos e momentos vividos. Além do carinho por cada personagem. Guardo todos com muito carinho. 

CP: E agora és um líder comunitário, morador do Vidigal. Você fez alguma imersão na comunidade em busca de "ingredientes", de modo a enriquecer o personagem Antônio? 

Felipe: Passei um bom tempo no vidigal. A comunidade tem uma musicalidade especifica que reverbera na Externamente na personagem. Como ele anda, qual a sua partitura física, trejeitos... Minha construção é sempre de fora pra dentro. Entender o ritmo da comunidade foi fundamental pra a criação do Antônio.

CP: O que Antônio tem de semelhante com você? 

Felipe: Ele é um cara honesto. Acredita no melhor das pessoas. Trabalha duro e tem esperança na vida.  

CP: Apesar da vida simples e harmoniosa, o personagem vai se deparar com uma relação conturbada após conhecer Sophia (Camila Rodrigues). Criados em mundos diferentes, os dois viverão confrontos tanto sociais quanto morais. Esses conflitos estão bem presentes no nosso cotidiano. Qual é o segredo para driblar essas situações conturbadas na vida real? 

Felipe: Acho que o amor é o alicerce de qualquer relação. Quando se ama, existe compreensão e vontade de dar certo. Você cuida e é cuidado. Essa é a salvação do casal, o amor. É uma história Rodriguiana, todas as mazelas e percalços se justificam nesse sentimento transformador.

CP: Em seu perfil no Twitter, você escreveu "Pense, imagine que o seu desejo já seja seu, e fique preparado para o receber!". Topissima pode ser considerada esse desejo? Por que? 

Felipe: Carrego essa frase comigo. Acreditar é sempre o pontapé inicial para qualquer empreitada. Tenho orgulho de não ter medo de correr atrás de todos esses sonho. Topíssima sem dúvida é a materialização de muitos sonhos, não só meus, mais de todos que sonharam juntos.

CP: Como foi a decisão de largar Exército, fixar residência no Rio de Janeiro para investir na carreira artística? 

Felipe: Fui bem atuante no cenário cultural mineiro. Do teatro a publicidade e cinema. A transição foi inevitável, aconteceu por si só. 

CP: Você sofreu algum tipo de preconceito do Exército por dividir a carreira militar de seis anos com a arte de representar, embora fosse algo bem inusitado na caserna?

Felipe: Graças a Deus, não! Sempre fui muito respeitado na caserna. As pessoas entendiam e sabiam diferenciar o militar do trabalho. É muito comum encontrar ex-colegas de caserna na plateia em turnês. Fiz grandes amigos, laços que jamais serão esquecidos.

CP: O que representa a Record na sua vida?

Felipe: A Record representa a minha grande oportunidade profissional. Me emociono com as oportunidades que me foram dadas. Me sinto em casa. 

CP: O que você espera da novela Topíssima? 

Felipe: Espero que o público embarque nessa aventura. É uma trama deliciosa, cheia de nuances e bom humor. Uma novela feita pra família com muito respeito.

CP: Qual o seu lema de vida? 

Felipe: Trabalhe duro, respeite o próximo. Pense, imagine que o seu desejo já seja seu, e fique preparado para o receber.