Fernando Anitelli: "Temos que repudiar atitudes preconceituosas e ter encanto pela vida"
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Fernando Anitelli: "Temos que repudiar atitudes preconceituosas e ter encanto pela vida"

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Fernando Anitelli: "Eu adoro o Nei Lisboa, acho o trabalho dele fantástico". Foto: Filipe Nevares / Divulgação / CP


Após 13 anos de estrada com o Teatro Mágico, o fundador da companhia musical visita suas raízes, seus primeiros passos e revela canções inéditas com o show "Fernando Anitelli apresenta: O Teatro Magico - Voz e Violão". A apresentação em Porto Alegre está marcada para este sábado, às 21h, no Teatro da Amrigs (Av. Ipiranga, 5311). Os ingressos estão à venda pelo site e na Sul Surf Skate (sem taxa de conveniência) com valores a partir de R$ 160 (inteira). Ao longo da história, o formato voz e violão sempre acompanhou Anitelli. A construção do primeiro CD, “Entrada para Raros”, foi baseada nas canções, poesias e batidas que, até então, eram entoadas nos saraus e esparramadas na rede pelo Seu Odacio. Recentemente, o criador e compositor Fernando Anitelli tem se dedicado a pensar os rumos da companhia. Com a parada temporária da trupe, após 13 anos de carreira (mais de dois milhões de álbuns vendidos, sete CDs autorais, 3 DVDs e 4 músicas em novelas), Anitelli está realizando apresentações únicas pelo país, em não mais do que 10 shows para também pensar e produzir seus próximos passos artísticos. Assim, o show que o músico apresentará na Capital pretende dar continuidade ao seu trabalho inspirado no cancioneiro popular, de forma mais intimista, numa relação direta, orgânica e visceral com o público.

Nesta entrevista ao Correio do Povo, Anitelli fala do formato, do repertório, da força do Teatro Mágico, dos outros projetos e do momento delicado da política brasileira.

Correio do Povo: Por que a escolha deste formato voz e violão?
Fernando Anitelli: A ideia do formato vai ao encontro de duas coisas: uma que o público pedia muito apresentações mais próximas, num formato mais saraueiro. Esta troca e proximidade se deu quando a gente fez o Catarse, no ano passado, e uma das recompensas era um Sarau. Isto ficou latente. O pessoal pedia mais. Outra coisa era dar uma pausa criativa com o Teatro Mágico. Eram 13 anos sem parada, um álbum emendando no outro. A gente já fez uma porção de coisas eletroacústica, com som eletrônico, texturas e músicos distintos. Este formato é justamente a primeira essência, o primeiro despertar, o primeiro olhar da música. É a palavra, a harmonia, o silêncio. Acho gostoso poder cantar e contar as referências, os lados B, as músicas que a gente não gravou, o público participa com poesia, cantando e tocando comigo. É um outro lugar. Além do que é o Teatro Mágico, aquela explosão plural, cor, movimento, tudo acontecendo em cima do palco. A voz e o violão dão esta visceralidade. Você não divide a atenção com outras forças em cima do palco. Faz você se aproximar deste outro lugar da música. Ser essencial.

CP: Como será composto o repertório deste show?
Fernando Anitelli: O repertório é composto por canções de todos os álbuns, alguns lados B, coisas que eu acho interessante contar e cantar como referência. É sempre diferente de um show para o outro. É um repertório vivo, pois às vezes o público pede na hora e a gente faz.

CP: Quais são tuas motivações atuais na música?
Fernando Anitelli: Existir é uma motivação. Música para mim é o que eu amo fazer. É o que eu estudo, o que eu pesquiso, o que melhor consigo traduzir, a existência, a resistência.

CP: Como são feitas as tuas composições, as canções?
Fernando Anitelli: Dos jeitos mais diferentes. Não existe uma regra ou fórmula. Às vezes começa com um trecho de texto ou um trecho de música. Tem várias pessoas que compõem comigo: Danilo Souza, Daniel Santiago, Pedro Martins, Maíra Vianna, Gustavo Anitelli, Mano Góes, Nô Stopa, Jessé Santos, Roberta Campos, enfim, estas pessoas que estão convivendo com a gente, que também gostam muito de música e que fala a verdade, a real, o que realmente acharam. Para mostrar primeiro, eu gosto de lapidar bastante, letra, harmonia e tudo para depois mostrar. Mas no caso desta galera, como são parceiros de composição, não tem problema mostrar só os trechos, porque seguramente eles vão trazer coisa boa para somar.

CP: Que outros projetos tens atualmente além deste show voz e violão?
Fernando Anitelli: Eu já estou trabalhando nas canções do novo álbum do Teatro Mágico, que a gente espera lançar no final do primeiro semestre do ano que vem. Estou trabalhando na produção artística do conceito visual do novo trabalho do Planta & Raiz. Tenho feito parceria com outros músicos e musicistas. Vou cantar com a Nô Stopa, com o JR, outro parceiro de composição. Tenho participado de oficinas e palestras.

CP: Qual a relação com o público e músicos gaúchos?
Fernando Anitelli: Tenho um carinho muito grande pelo público do Rio Grande do Sul. Tem uma galera que acompanha a gente, que troca ideias, fiz muitas amizades por aí. Em relação aos músicos, eu adoro o Nei Lisboa. Acho o trabalho dele fantástico. Tocamos com o Humberto Gessinger, fizemos apresentações juntos. Gravamos “Canção da Terra”, do querido Pedro Munhoz, um gaúcho guerreiro. Adoro o Mario Quintana. Só tem coisa boa por aí.

CP: “O Lobo da Estepe”, do Herman Hesse, te inspirou a criar o projeto Teatro Mágico. Qual o livro ou autor que te inspira no momento atual?
Fernando Anitelli: Eu tenho lido muito Mia Couto, o escritor de Moçambique. Pega qualquer livro de Mia Couto e mergulhe. 

Confira outras duas respostas de Fernando Anitelli no áudio abaixo:

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por Luiz Gonzaga Lopes