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Ivan Lins: "Repertório foi escolhido pela própria Simone"

Em entrevista ao Correio do Povo, artista comenta o fato de ser um dos compositores brasileiros mais gravados no exterior

Por
Luiz Gonzaga Lopes

Na agenda de shows, Ivan Lins se apresenta com Simone neste sábado, na Capital

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O pianista, cantor e compositor carioca Ivan Lins é certamente um dos artistas brasileiros que faz maior sucesso no mundo inteiro, principalmente nos Estados Unidos e em alguns países da Europa. Ivan despertou cedo para música. Ele começou a participar de festivais nos anos 1960 e, em 1970, ficou com o segundo lugar no Festival Internacional da Canção com “O Amor é o meu País” (uma parceria com Ronaldo Monteiro de Souza). Neste momento, ele obteve um contrato para o selo Forma, da Philips (atual Universal Music), onde fez seu álbum de estreia, “Agora”. Uma das canções desse disco, “Madalena”, seria gravada no mesmo ano por Elis Regina e, logo em seguida, por Ella Fitzgerald. A partir dos anos 1980, com o aval de Quincy Jones, Ivan Lins se tornou o compositor brasileiro contemporâneo mais gravado por artistas do jazz e do pop, numa lista que ainda inclui nomes que vão de Sting, George Benson, Sarah Vaughan até Barbra Streisand, Diana Krall, Manhattan Transfer, Nancy Wilson e Lee Ritenour.

Em 1973, a cantora Simone gravou em seu álbum de estreia uma música de Ivan Lins, chamada “Chegou a Hora”. Anos depois, em 1979, ela gravou para uma série de TV e começou a apresentar nos shows a música “Começar de Novo” de Ivan em dupla com Vitor Martins e aí a parceria entre os dois deslanchou. Simone e Ivan Lins se reencontram no show “Eterno Recomeço”, que será apresentado em Porto Alegre, neste sábado, às 21h, no Auditório Araújo Vianna (Osvaldo Aranha, 685). O novo reencontro acontece 14 anos após o lançamento de “Baiana da Gema”, álbum no qual Simone interpretou 13 canções inéditas, especialmente escritas para ela por Ivan e parceiros. 

Em entrevista ao Diálogos, Ivan Lins fala sobre este reencontro com Simone, a sua relação com o Rio Grande do Sul e os músicos locais e também o fato de ser um dos compositores brasileiros mais gravados no exterior.

Esta relação de parceria com a Simone é bem antiga. Como foi este reencontro?
É uma relação antiga. Nossa colaboração começou em 1973, quando ela estava começando a carreira e gravou uma música minha chamada “Chegou a Hora”. Eu não tive nem contato com ela. Eu mandei a música e ela gravou. Só comecei a ter contato profissional e pessoal, amizade com ela a partir de 1978, quando ela gravou o “Começar de Novo”. O sucesso da música fez com que ela começasse a pedir mais músicas e eu fui compondo.

Para este show “Eterno Recomeço”, como é que foi a composição de repertório?
O repertório foi escolhido pela própria Simone. Qualquer canção que entrasse neste show, por ser minha, já estava ótimo. Eu deixei a critério dela e da Zélia Duncan, que dirige o show, a missão de escolher as músicas. Elas foram muito pelo prazer das canções, pela consistência de temas das músicas. Ao mesmo tempo, temos canções que a Alcione gostava e que nunca tinha gravado.

Tu já tiveste grandes momentos em apresentações aqui no Rio Grande do Sul. Qual a tua relação com os músicos daqui e com o Estado?
A minha relação com os músicos do Sul é muito boa. Dos músicos que trabalharam com meu amigo e irmão Geraldo Flach, eu mantenho mais contato é com o baterista Ricardo Arenhaldt. Acho ele um excelente baterista. Outros contatos que tenho regularmente é com o Expresso 25, com o Pablo Trindade. Falo com ele por e-mails e ele me conta as novidades. Foi um contato que permaneceu depois que realizamos um espetáculo juntos. Também recebo materiais do Raul Ellwanger, que tem feito um espetacular trabalho de pesquisa sobre os artistas latino-americanos.

Fora o show da Simone, como está a fase atual da tua carreira?
Eu tenho feito alguns shows com o Toquinho e o MPB4, que já foi para Porto Alegre há uns dois anos. A gente ainda está fazendo, não em grande quantidade. Vou fazer mais dois shows com ele e mais dois com a Simone. Com eles, eu vou fazer agora em abril no Ribalta, uma casa de música na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro.

E a carreira e o reconhecimento internacional? Tu aceitas esta honraria de ser o pianista e compositor brasileiro mais gravado no mundo depois do Tom Jobim?
Eu não dou muita atenção para isto não. É do meu feitio. Não sou de ficar contando que fiz isto ou aquilo. As pessoas não perguntam e eu não falo nada. Eu não sei estas coisas. As pessoas dizem isto que depois do Tom Jobim eu sou o compositor brasileiro mais gravado pelo mundo. Não sei se sou mais gravado do que o Milton, Chico ou Djavan. Até hoje ninguém me deu este número. Sou bastante conhecido principalmente pelos grandes músicos internacionais. Costumo dar clínicas no exterior com a presença de músicos de vários gêneros. É bacana você ser um compositor brasileiro e saber que eles têm um apreço pela minha música, pelo meu país, isto me honra muito. As clínicas são em inglês, mesmo sendo na Itália, ministrei também na Holanda, Estados Unidos, Alemanha, entre outros países.