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Johnny Hooker: "No que depender de mim, irão ver um artista em erupção"

Cantor pernambucano realiza show do álbum "Coração" em Porto Alegre nesta sexta

Por
Lou Cardoso

Pernambucano encerra turnê do álbum "Coração" com show em Porto Alegre nesta sexta

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Johnny Hooker é um dos cantores do movimento LGBTQ+ que mais tem se destacado na música brasileira e no exterior. Famoso pelos hits "Corpo Fechado, "Flutua" e "Amor Marginal", o cantor toca em Porto Alegre nesta sexta-feira, às 21h, no Opinião (rua José do Patrocínio, 834) para encerrar a turnê do seu segundo álbum intitulado "Coração".

O pernambucamo prometeu aos gaúchos um artista em erupção no palco para exorcizar as mágoas com as suas músicas que misturam samba, axé, tecnobrega e rock. Johnny também vai passear pelo seu repertório mais antigo, que fez dele um dos vencedores do Prêmio da Música Brasileira 2015 com o debut “Eu Vou Fazer uma Macumba pra Te Amarrar, Maldito!”. 

Os ingressos para o show estão nos valores de R$ 140 (inteira), R$ 70 (meia-entrada) e R$ 75 (com doação de 1kg de alimento). A bilheteria oficial é na Multisom Iguatemi e os demais pontos são nas lojas Multisom Andradas 1001, Loja Verse Andradas, Shopping Praia de Belas e Barra Shopping Sul. Pela internet, o bilhete pode ser adquirido também no site do Sympla

Correio do Povo: O que o público gaúcho pode esperar do seu show?
Johnny Hooker: Bem, no que depender de mim, irão ver um artista em erupção. Passamos muito tempo sem tocar no Sul do País, a minha última passagem por Porto Alegre faz mais de um ano e meio, então prometo chegar com tudo para gente exorcizar as mágoas e resistirmos todos juntinhos com o poder da música e do afeto nesses tempos conturbados. 

CP: Com letras fortes e de superação, como foi a composição do álbum "Coração"?
Johnny: “Coração” foi fruto de uma luta interna e externa muito grande. A política do Brasil começava a entrar numa grave crise, tive um episódio de estafa e depressão grave por conta do ritmo de trabalho. E, para se juntar a isso, uma separação bastante agressiva.

Encontrei na música, nos ritmos brasileiros, na cultura desse povo latino-americano que apesar de tudo, resiste. A força para falar sobre renascimento, sobre lutar por nossos direitos, afetos e para exorcizar meu luto pessoal. É por isso que se chama “Coração”, porque o formato da América Latina lembra um coração e cada centímetro do meu é latino-americano. 

CP: A música foi um meio para desabafar sobre amores, dores e outras coisas pessoais? Também é um meio para usar como instrumento político?
Johnny: Acredito que escrever uma canção é como escrever um pequeno conto ou crônica. A maior parte são narrativas ficcionais, criadas com um certo propósito estético. Claro que a minha própria experiência de vida entra lá, mas estou apenas “falando sobre”.

Por exemplo, não sou nenhum dos personagens em “Flutua”, aquela narrativa fala sobre dois garotos que todo mundo conhece ou já viu andando na rua, que ao assumir aquela postura estão cometendo o maior ato político de todos que é amar. Não sou eu ali, eu só observo e conto para quem ouve. 

CP: Como você enxerga a representatividade LGBTQ+ na música brasileira atualmente? O movimento tem ganhado mais espaço e oportunidades?
Johnny: Apesar dos pesares, o movimento vem ganhando contornos aqui e ali no sentido de se desenhar de modo mais inclusivo, com a participação significativamente maior por parte dos simpatizantes e apoiadores da causa. Apenas ressalto que o objetivo de tudo isso é um NÃO ao ódio, e um SIM a aceitação.

CP: Qual é o papel de um artista musical em um contexto político? O que você e outros cantores podem fazer para se manifestar?
Johnny: É engraçado que um País que se diz tão conservador tenha uma cena musical tão moderna, libertária e futurista quanto o Brasil. Prefiro acreditar que o verdadeiro retrato desse País é essa veia multicultural, diversa, colorida, afetuosa e cheia de vida e luta. Uma vez Jorge Mautner me disse que a música sempre foi a linha de frente da resistência nesse País. Acho que ele está certo. 

CP: Como foi experiência de tocar a sua música na sua passagem por Lisboa, Berlim e Barcelona?
Johnny: É incrível como a música brasileira é respeitada lá fora. As pessoas lotam os shows e se encantam com o balanço, a diversidade de ritmos e vida que os artistas brasileiros colocam em suas performances ao vivo.

Fomos tão bem recebidos que agora em junho já vamos voltar. Vou ser a atração principal da Parada LGBTQ+ de Lisboa em Portugal. Aqui no Brasil nunca me chamaram para tocar nem na parada de Recife minha cidade natal. Você acredita?!