Michael Shannon: "Você pode encontrar humor em qualquer lugar, está em todos os lados"
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Michael Shannon: "Você pode encontrar humor em qualquer lugar, está em todos os lados"

Em entrevista para o Correio do Povo, ator fala sobre desafios enfrentados na carreira

Por
Marcos Santuário

Michael Shannon recebeu recentemente uma homenagem especial do 59° Festival Internacional de Cinema de Cartagena

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O ator norte-americano Michael Shannon recebeu, há poucos dias, uma homenagem especial do 59° Festival Internacional de Cinema de Cartagena (Ficci), na Colômbia, e, em entrevista, fala sobre sua carreira, seus personagens, o trabalho com Guillermo del Toro e sobre seus novos projetos

Você imaginou que teria uma carreira como essa no cinema?

Não. Não imaginei. Eu tenho muita sorte. Eu comecei em Chicago, fazendo teatro e estava falido. Lentamente fui construindo meu caminho, fazendo meu trabalho. Mas é engraçado porque eu não desejava tanto ir para o cinema, mas foi algo que surgiu naturalmente na minha vida.

Quando decidiu que queria ser ator?

Eu comecei fazendo teatro na escola, mas nunca sequer tive um papel importante naquela época e amava fazer teatro mesmo assim. Quando terminei, saí do colégio, no começo dos anos 90, Chicago tinha uma cena de teatro incrível. E o trabalho que eu fiz foi uma parte disso. E foi quando eu realmente decidi ser ator. É meio milagroso eu ter uma carreira assim, porque tem muita gente que realmente sonha em ser ator, mas não consegue. E eu posso fazer isso. Eu realmente faço algo que eu amo e quando olho para o que eu já fiz, tenho orgulho do meu trabalho.

E de repente você está atuando em “Foi Apenas um Sonho?”

Eu vi que eles queriam fazer o filme e li o livro. Eu só queria participar do filme, não me importava com qual personagem. Mal podia acreditar que estavam fazendo um filme sobre esse livro. Fiquei muito feliz quando me disseram que poderia ser o John Givings porque para qualquer um que lê o livro ele é o personagem preferido.

Que histórias hoje você tem interesse em contar? 

É difícil dizer. Pelo menos recentemente eu tenho tentado contar histórias ou passar alguma mensagem que ajude a refletir sobre o mundo que vivemos atualmente. Não como alguém que indica a direção, mas de uma maneira criativa.

E sobre o humor? 

O jeito que meu senso de humor funciona é que eu vejo o humor em diferentes situações. Eu acho que tem muito humor em “A Forma da Água”. Eu acho que o personagem de Strickland é engraçado. Me faz rir. Ele é confuso sobre a vida. E algumas pessoas quando ficam brabas são engraçadas porque é tão ridículo o motivo pelo qual estão brabos. Você pode encontrar humor em qualquer lugar, está em todos os lados. Obrigado, Deus

Como foi trabalhar com Guillermo del Toro em “A Forma da Água”? 

Guillermo é um santo. Eu amo aquele cara. Ele é apenas tudo aquilo que você espera em um artista. Ele é uma das melhores pessoas que eu já conheci na vida. É muito criativo, único, espiritual e tem um coração enorme. É exigente e eu gosto disso. Eu não gosto de sentir que a pessoa com quem eu estou trabalhando esteja indiferente. Ele tem expectativas muito altas e se ele está decepcionado, ele deixa claro. Mas se você deixa ele satisfeito, é o melhor sentimento do mundo.

Tudo ficou mais fácil depois do sucesso em cinema?

Eu sempre me desafio. Nunca vou trabalhar pensando que vai ser fácil. É sempre um desafio difícil estar em frente às câmeras e fingir que eles não estão lá.

O que você pensa do Oscar e de Hollywood?

É interessante que nos últimos anos os três titãs do cinema mexicano levaram muitas coisas. Eu fiquei muito contente quando fui indicado ao Oscar. Porque você sabe, isso faz parte da nossa cultura. E mesmo que você saiba profundamente sobre isso, é algo meio bobo mas que te anima muito. Eu nunca fui uma figura típica de Hollywood. Eu não moro lá. Morei lá por dois anos e tinha a impressão de que podia sair de lá a qualquer momento e saí. E dificilmente vou para lá, a menos que seja algo como isso. Eu gosto de ficar escondido, na verdade.

E sobre homenagens, como a que o Festival de Cartagena lhe faz?

É incrível poder ir a um país que eu nunca estive antes e as pessoas me darem um prêmio, saberem quem eu sou. Isso é louco, mas é o que o cinema é capaz. É um fenômeno mundial. Estou muito emocionado e grato por isso.

E em que projetos estás envolvido agora?

Nesse verão estarei em uma peça da Broadway chamada “Frankie and Johnny in the Clair de Lune”, que vai acontecer entre maio e agosto. No próximo outono, eu tenho um filme chegando que se chama “Knives Out”, dirigido por Rian Johnson, com elenco de estrelas em um crime misterioso