Tuomas Saukkonen: "Até o governo finlandês apoia financeiramente as bandas de metal"
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Tuomas Saukkonen: "Até o governo finlandês apoia financeiramente as bandas de metal"

Líder da banda Wolfheart conversou com o Correio do Povo sobre o novo trabalho do grupo

Por
Chico Izidro

Grupo foi criado em 2012 na cidade de Lahti

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Depois de anos aplicando sua criatividade em vários projetos, como Before The Dawn, Black Sun Aeon, Dawn Of Solace e RoutaSiel, desde o final de 2012, Tuomas Saukkonen chocou a cena musical com o anúncio de que os enterraria ao mesmo tempo para começar de novo. Ele, então, focou em apenas um trabalho e criou Wolfheart. A banda – e forma de expressão – que finalmente lhe permitiria canalizar todo seu gênio musical para apenas uma tomada. Seja a abordagem melódica e esperançosa, acústica e frágil, black / death metal ou atmosférica, o grupo finlandês tem tudo, em uma mistura única. Ele gravou e lançou o primeiro álbum de Wolfheart, “Winterborn”, tocando sozinho todos os instrumentos e fazendo todos os vocais, com Mika Lammassaari como seu único convidado, tocando solos de guitarra.

Saukkonen autofinanciou o lançamento do álbum. Este ousado salto de fé foi recompensado com vendas colocando o álbum em sétimo lugar nas paradas finlandesas. Desde a primavera de 2014, Wolfheart se consolidou como uma banda de verdade, fazendo turnês ao redor do mundo. E, nesta sexta, toca pela primeira vez em Porto Alegre, na divulgação de seu trabalho mais recente, "Constellation of the Black Light" (2018), que evidencia a proposta de um death metal melódico. O espetáculo terá ainda a apresentação da banda italiana Fleshgod Apocalypse, e será no Art & Tattoo Club (Av. Independência, 936 — ex-Beco), a partir das 20h. Saukkonen conversou com o Correio do Povo sobre o trabalho e sua trajetória profissional.

Correio do Povo: A banda Wolfheart era para ser um projeto solo seu, depois do fim da Black Sun Aeon e Before the Dawn. Quando mudou a opinião e ela virou um grupo oficial?

Tuomas Saukkonen: Desde o começo, era para ser uma banda completa, mas depois de dez anos trabalhando com minhas outras bandas, eu só precisava de uma pequena folga de ser líder de um grupo e também das gravadoras. Eu precisava focar na música e fazer de forma solo o álbum de estreia “Winterborn”. Eu também lancei o álbum por conta própria, mas já tinha um line-up (formação) ao vivo pronto antes do álbum ser lançado e começamos a tocar logo após o lançamento do disco. Todos os membros desta formação acabaram sendo membros permanentes da Wolfheart.

CP: Como você escolheu os outros membros da banda?

Saukkonen: Eu conhecia todos os membros há anos e compartilhei minha trajetória com alguns deles em minhas bandas anteriores. Então já eram todos muito próximos. Todos são bons amigos e músicos incríveis.

CP: Como você vê a participação dos outros integrantes nas composições das músicas? E o qual vocês estão integrados?

Saukkonen: Eu escrevo 90% das músicas e também trabalho como produtor no estúdio, então tenho uma visão muito clara de como cada música é construída, arranjada e como deve soar. É claro que cada músico adiciona seu próprio som e toque com seu instrumento. Especialmente Mika Lammassaari tem um grande papel com seus solos de guitarra, que funcionam como um destaque definitivo de cada música.

CP: Como foi a preparação do álbum mais recente, o "Constellation Of The Black Light"? O que ele difere dos anteriores?

Saukkonen: A produção seguiu o mesmo caminho que os anteriores. Fizemos as gravações principais no Petrax Studios (HIM, Nightwish, Apocalyptica, CoB, etc) com o meu engenheiro de som, Juho Räihä, que gravou, mixou e masterizou todos os álbuns do Wolfheart. Eu não vi nenhuma razão para quebrar a fórmula de bom funcionamento, e a única coisa que foi diferente foi que usamos uma quantidade maior de trabalho para a pré-produção.

CP: Por que o "Tyhjyys", disco de 2017, leva este nome e como se pronuncia?

Saukkonen: Muito difícil de explicar com a escrita. É uma palavra muito finlandesa e eu não acho que alguém de fora da Finlândia possa pronunciá-la corretamente.

CP: Como está o metal na Finlândia hoje em dia? E de que forma o clima, a sociedade influencia no estilo musical de vocês?

Saukkonen: A cena do metal tem sido muito forte na Finlândia há muito tempo. Também o clima é muito positivo e até o governo finlandês apoia financeiramente as bandas de metal, por isso temos um país muito favorável e com fãs muito leais. A música ainda vem do coração, sem qualquer influência do exterior, mas certamente torna a carreira de uma banda mais fácil com esse apoio.

CP: De onde você tira inspiração para as suas composições?

Saukkonen: Da natureza, de meus próprios pensamentos e da solidão.

CP: Quando você iniciou na música e por que escolheu este caminho?

Saukkonen: Eu comecei a tocar guitarra aos 8 anos de idade. E desde sempre tenho me dedicado a escrever minha própria música e nunca me interessei em aprender músicas feitas por outros. Eu lancei meu primeiro albúm em 2003, então já são 16 anos de carreira agora.

CP: O que espera dos shows no Brasil? Já conhece o país e o que se fala dele na Finlândia?

Saukkonen: Do Brasil eu conheço o futebol, que é o melhor do mundo. Esta será minha primeira vez na América do Sul e estou super empolgado para tocar aí.