Ambiente de aprendizagem

Ambiente de aprendizagem

Alina Souza

Escola de Educação Infantil Capela Navegantes, Zona Sul de Porto Alegre.

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Vivíamos no silêncio da praia vazia e nos alegrava interromper a solidão com o compromisso da escola. Eu e meu irmão tínhamos ansiedade em encontrar o convívio social das salas de aula, desfrutar dos minutos intensos do recreio, deixar os olhos percorrerem as novidades em meio ao trajeto até o colégio. As férias eram entediantes, ficávamos longe dos colegas, professores, desafios. Eu queria descobrir o mundo para além das janelas com vidros umedecidos de maresia. O ambiente escolar representava mais do que lições relacionadas ao alfabeto, contas de somar e dividir. Eu buscava algo que só a conversa, o contato, a expressão da face, a espontaneidade dos gestos e a sutil demonstração de afeto poderiam ensinar. Com muito gosto, arrumava a mochila e a mãe me ajudava a enfeitar o cabelo com presilhas que imitavam borboletas. “Alina, daqui a pouco tua cabeça vai voar junto com elas!”, brincou uma professora. Levei à sério e fiz de tudo para que esse passeio acontecesse. Hoje os cabelos estão soltos, os adornos guardados, mas sigo o voo e agradeço aos mestres que apontaram o infinito e me incentivaram a alcançá-lo.


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