Aniversariante

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Alina Souza

Detalhe do Cais Mauá

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Reconheço Porto Alegre pelos detalhes. Sei que ela carece de melhorias, mas devo admitir que adoro este lugar que escolhi para viver. Talvez por ter criado familiaridade com as ruas e avenidas. O lado de fora se mistura com o lado de dentro, as memórias não se descolam. No retorno das viagens, ao adentrar na Castelo Branco e avistar o porto, sinto um abraço de volta para casa. Nem sempre foi assim. No início, eu enxergava apenas uma metrópole poluída, dominada por uma multidão ocupada demais para sentir poesia. Não mudei totalmente tal percepção, contudo, procurei adaptar-me. Nem todo mundo vai me olhar como eu quero, mas eu posso escolher onde pousar os olhos. Aprendi a investir na minha toca de bons sentimentos e, semelhante a um bom namoro, às vezes é bom criar uma certa distância e cultivar momentos de introspecção. Assim mantemos nossa relação de longas miradas e devaneios. Seja através da caminhada até a parada, seja através da janela do ônibus: de um jeito ou de outro, vasculho, mergulho, perscruto tudo o que a cidade e seus habitantes ainda têm a revelar.


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