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Por
Alina Souza

Crime ambiental no Anfiteatro Pôr do Sol.


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Há uma semana, uma surpresa encobriu meu fim de semana. Eu estava feliz com a pauta que o repórter me designara: fotografar cágados nos arredores do anfiteatro Pôr do Sol. Lá fui eu cheia de expectativa. Homens olhavam para o chão, presumi que observavam ovos dos répteis. Mas eles tinham os olhos tristes. Indicaram o animal morto, o corpo já em decomposição. Esperança despedaçada. Eu não sabia se fotografava ou me esforçava para compreender o mundo, a dureza da alma de algumas pessoas. Havia uma pedra por perto e um senhor suspeitou que aquela teria sido a arma do crime ambiental. Abaixei-me, deparei-me com resquícios do casco, ossos, vísceras. Fotografei pelo dever de denunciar. Explorei o terreno a procura de outros animais da espécie, mas sem sucesso. Fugiram de seu próprio habitat. Torço para que retornem, multipliquem-se, façam ressurgir a pureza diante da virulência do ser humano. Tudo o que não for amor deve ficar do lado de fora. Se a maldade tentar se aproximar, que fique presa em seus arames, seja vítima de sua própria armadilha. Desista, não volte mais. Aqui não é o seu lugar.