Em casa
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Em casa

Por
Alina Souza

A vida vista da janela.

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Janelas abertas. Uma pausa para sentir a vida acima de qualquer medida, escancarar as persianas, encaixar o mundo nestas margens como um quadro que requer nossa atenção. Desacelerar, inspirar, entender que o corpo precisa de cuidado: precisa de nós. O silêncio modera impulsos, intimida rancores, devolve a nossa voz. Alguns ignoram o alarme de perigo, defendem prerrogativas de homens-máquinas. Mas a produtividade não depende só de cronômetros, comandos, coordenadas rígidas, cartesianas. Ela pode vir do suspiro na janela, da simplicidade de ventilar as ideias. Ainda não somos equipamentos com recursos de formatação. O corpo responde, respira, arrepia, clama, por vezes, inflama. A ciência grita, pouco brilha aos olhos dos imediatistas. Depende das pesquisas, constante exercício de abrir cortinas, deixar que a claridade alcance o interior, lance perguntas, conduza às respostas, atravesse as frestas, invada os cômodos, conquiste o escuro com as partículas de luz. 

Texto e fotos: Alina Souza