Entardecer
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Entardecer

Por
Alina Souza

Caminhada no fim de tarde. Praça Nações Unidas, bairro Petrópolis, Porto Alegre.

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Alívio de um fim de tarde de verão. A brisa ameniza a cabeça cheia, organiza o caos dos pensamentos amontoados. Após as tarefas cumpridas, a gradativa despedida do dia afasta o pesar da produtividade. Nem tudo necessita ser rentável, apresentar um retorno imediato, uma finalidade rígida e objetiva. A famosa e disputada perfeição também tem os seus defeitos e quer passear de vez em quando, ver o sol se pôr e o suave sacudir das folhas das árvores. Cansativo é aguardar respostas, buscar aprovação alheia, manter desejos reprimidos dentro de um existir mecanizado. Criamos tantas expectativas e, ao mesmo tempo, tentamos evitar toda e qualquer espera. Precisamos, sim, apreciar o verde pelo puro prazer de reciclar o olhar, maturar as ideias espontâneas, despretensiosas. Caminharmos não somente para emagrecermos ou seguirmos padrões, mas porque faz bem para a alma e isso já nos basta. Aqui e agora. Não há justificativa melhor do que a felicidade. Nós merecemos. Desfaçamos as fitas, sem medo e sem culpa de viver o segredo e a aventura do presente. 

Texto e fotos: Alina Souza