Heróis do cotidiano
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Heróis do cotidiano

Por
Alina Souza

Trabalhador no centro de Porto Alegre.

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Sem sentir, sem prever, superamos a batalha que, outrora, julgávamos impossível. Descobrimos forças em algum recôndito de nós mesmos e seguimos o compasso da rotina. Começamos com pouco e, ao longo do trajeto, somamos mais responsabilidades. De repente, temos um mundo em nossas costas e conseguimos dar conta, quem diria? Ficamos tão ocupados a ponto de não ouvirmos a sedução da vaidade tentando corromper a autêntica vitória. Envolvidos no fazer, existimos. Se nos demoramos demais nos sonhos e enfeitamos o futuro com purpurinas, as atividades assumem um aspecto longínquo, utópico, e adormecemos porque cansa idealizar o perfeito. Melhor darmos o primeiro passo, executarmos, concentrados nos atos e resultados. Gotas de suor escorrem, alguma lágrima no canto do olho floresce em meio aos instantes introspectivos, mas o orgulho e a dignidade abrandam as dores. Vencemos a labuta diária desprovidos de poderes mágicos e armaduras, fora do alcance das câmeras e holofotes, secretamente heróis diante dos reveses da realidade.

Texto e fotos: Alina Souza