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O valor de uma gota

Por
Alina Souza

Falta de água.

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Dentre os elementos principais para fazer fluir bem o dia: água. Essencial para higiene, cozinha. Refresco. E tantas outras necessidades do cotidiano. Na falta dela, sentimos a diferença. São horas secas, inférteis, incompletas. Intermináveis. Os moradores da Lomba do Pinheiro que o digam, passam por essa tortura que não termina há semanas. Protestam não por um capricho, sofisticação, e sim por um direito humano básico. A base de uma vida plena. Líquida, fluida, cristalina. É um caso de saúde pública. Com as altas temperaturas, a sina se torna ainda mais penosa. Chegar em casa e não ver uma gota na torneira, no chuveiro. Sede, suor. Pesadelo, sem exagero. Em contraste com os bairros nobres, onde há cortinas d'água na frente dos belos edifícios. Construir uma Porto Alegre só com imagens bonitas não funciona. Muito fácil atentar para os recortes que se encaixam perfeitamente e ignorar os gargalos, as represas, a escassez. O autêntico retrato tem que ser com o povo em absoluto, sem ocultar os copos vazios, os canos que gotejam desigualdade.

Texto e fotos: Alina Souza