Retorno
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Retorno

Por
Alina Souza

Início de março.


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Março desponta, o despertador toca, a cidade acorda, o veraneio se despede. Voltam os sons das chaves afoitas nas portas, dos carros impacientes nas ruas, dos sapatos sociais nas calçadas, das ofertas dos comerciantes nas esquinas. A mansidão da paisagem urbana dos primeiros meses do ano dá lugar à formalidade dos documentos, ao incessante movimento, à responsabilidade de saber se virar. A rotina devolve um sentido que já estava quase dissolvido na praia, na piscina, no descanso. Agendas lotadas tentam reduzir o ócio, abrandar o sutil desespero de lidar com o vazio e o silêncio das divagações. De volta ao cotidiano que, por um lado, incomoda; por outro, afirma, estabiliza. Compromissos provocam a sensação de ritmo, compasso, andar dentro dos eixos e não a esmo. Executivos e suas secretas maletas, funcionários e suas singelas marmitas, estudantes e suas atrolhadas mochilas. Apesar das diferenças, todos parecem conectados a um único relógio, perseguindo ponteiros, buscando a regularidade e o acerto de suas trajetórias.


Texto e fotos: Alina Souza