A importância da rotina em tempos de guerra
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A importância da rotina em tempos de guerra

Estabeleci uma nova rotina e está dando certo até aqui

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Em tempos de coronavírus tenho abortado o futebol em algumas colunas. Primeiro, porque não estamos tendo futebol, os campeonatos estão todos parados, desde o Gauchão até a Libertadores. Segundo, e mais importante, porque só se fala da pandemia. Completo duas semanas de isolamento. Sozinho no meu apartamento estabeleci uma nova rotina. No livro "Quando o corpo grita - Síndrome do pânico", que tem a participação dos psiquiatras José Facundo e Gildo Katz, reservei um capítulo só para falar sobre o quanto a rotina é importante para mim. 
"Em Garibaldi eu tinha uma rotina. Acordava pela manhã, ia ao colégio, retornava, almoçava, dava um tempo, ajudava meu pai nas lides do hotel, fazia os temas e, ao final da tarde, ia jogar futebol. Nos sábados mudava alguma coisa, não muito, e nos domingos eu ia ao matinê.
Saí de Garibaldi carregando muita saudade eEm tempos de coronavírus tenho abortado o deixando para trás minha rotina. Em Porto Alegre estabeleci uma nova rotina. E esta inclui minha família. A simples notícia de que minha família irá para a praia no final de semana e eu terei que ficar em Porto Alegre por causa do trabalho desencadeia em minha falta de ar. Obviamente descobri isto depois de anos de análise. Antes, não ligava os fatos. Hoje, combinamos o seguinte: já na segunda-feira a Judith me avisa que estará viajando ao final da tarde de sexta-feira.
Estabeleço na minha cabeça uma nova rotina para aquele final de semana. Coisa de louco? Coisas da cabeça.
Meus neurônios são lubrificados pelo amor, afeto, carinho e proximidade dos meus. Preciso desta rotina. Agora, um dos tantos paradoxos desta tal de síndrome do pânico. Se a Judith vai ficar mais de uma semana fora, por exemplo, e se meus filhos forem juntos, uma ansiedade terrível toma conta de mim nos dias que antecedem à viagem.
Em muitas destas ocasiões, recorro aos medicamentos como precaução. Depois do embarque, a agonia vai aliviando. No segundo, terceiro dia, já estabeleci uma nova rotina e as coisas entram nos eixos. O pânico não me assusta mais. Vá entender como as coisas se organizam na cabeça da gente!"
Minha rotina em tempos de coronavírus está bem estabelecida. Acordo, tomo café, disparo alguns telefonemas para dirigentes de clubes e, diante de uma informação nova (com o futebol parado, são poucas) atualizo o blogue. Faço a limpeza da casa, arrumo a cama, se há roupa para lavar (principalmente toalha, lençol e fronha, coloco na máquina. Faço o almoço. Depois, passo um café e retomo o contato com dirigentes, além de ler os principais sites em busca de informações. Diante de algo novo, volto a atualizar o blogue.
No meio da tarde faço esteira e alongamento. Cuido de tomar muita água. Ao anoitecer escrevo a coluna. Depois, tomo banho e faço o jantar. Após, vou assistir os noticiários da TV. Mais tarde assisto algum filme. Depois, acompanhado por um livro, vou para a cama.
Tem dado certo. Quando bate a solidão, ataco de whatsApp.