COLAPSO
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"Pela primeira vez na história, enfrentamos o risco de um colapso global"

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A pandemia do coronavírus me faz lembrar do livro "O Fim do Mundo", do historiador e jornalista norte-americano Otto Friedrich (1929-1995). Friedrich narra como a humanidade encarou momentos apocalípticos como o saque de Roma, a Inquisição, a peste negra, o terremoto de Lisboa, a Revolução Russa e Auschwitz, as perturbações, o histerismo que fez muitos acreditarem que o mundo estava acabando.
Em "Colapso", livro de Jared Diamond, autor de Armas, Germes e Aço, que lhe rendeu um Prêmio Pulitzer, há uma narrativa diferente, de um mundo já globalizado. 
Jared escreve: "A globalização torna impossível às sociedades modernas entrarem em colapso isoladamente, como a Ilha da Páscoa ou a Groenlândia Nórdica do passado. 
Hoje, qualquer sociedade em crise, não importa quão remota _ pensem na Somália ou no Afeganistão como exemplos_ pode causar problemas para a sociedade prósperas de outros continentes, e também estão sujeitas à sua influência (seja para ajudá-la ou para desestabilizá-la). Pela primeira vez na história, enfrentamos o risco de um colapso global."
No livro "Homo Deus", Yuval Noah Harari relata que "assim, mesmo sem a certeza de que algum surto de um novo Ebola ou uma linhagem desconhecida de gripe não possa assolar o mundo e matar milhões, não vamos considerar que se trata de uma calamidade natural inevitável. Ao contrário, vejamos nisso uma indesculpável falha humana e peçamos as cabeças dos responsáveis. 
No fim do verão de 2014, durante algumas semanas terríveis, pareceu que o Ebola estava levando a melhor sobre as autoridades encarregadas da saúde global. Foi quando criaram apressadamente comitês de investigação. Um relatório inicial publicado em 18 de outubro de 2014 criticava a OMS por ter reagido de maneira insatisfatória à eclosão do vírus; a culpa pela epidemia recaiu sobre a corrupção e a ineficiência do ramo africano dessa agência de saúde. Mais críticas foram dirigidas à comunidade internacional como um todo por não ter reagido com rapidez e energia suficientes. 
Essas críticas partem da premissa de que a humanidade dispõe do conhecimento e dos instrumentos de prevenção; se mesmo assim uma epidemia sai do controle, isso se deve mais à incompetência humana do que à ira divina". 
Lendo Yuval Noah Harari, lembro que China retardou ações que poderiam conter vírus para fugir de embaraços políticos. O governo tratou de constranger quem tentava alertar sobre o possível surto, transformado depois em pandemia.
E que entendidos no assunto  apontaram a demora do governo da Itália em restringir voos do norte para outras partes do país no início da epidemia como um dos fatores que levaram ao caos total.
A frase de Jared Diamond é definitiva: “Pela primeira vez na história, enfrentamos o risco de um colapso global."