Paixão e um ano sem pré-temporada
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Paixão e um ano sem pré-temporada

Carlos Corrêa

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Carlos Corrêa / Interino

A próxima quinta-feira, dia 25 de fevereiro, marca oficialmente o final do Campeonato Brasileiro de 2020. Três dias depois, isso mesmo, apenas três dias depois, começam os campeonatos regionais. Pouco depois, no início de março, tem início a segunda fase da Pré-Libertadores, que terá a participação de duas equipes brasileiras. Notou falta de alguma coisa? Eu ajudo: pré-temporada. Ao contrário de anos anteriores, as principais equipes do país não terão como aproveitar as primeiras semanas do ano para focar no trabalho físico, considerado por toda e qualquer comissão técnica como essencial para que se tenha uma boa base de trabalho para o restante do ano. Com o calendário de 2020 invadindo 2021 por causa da Covid-19, faltaram datas e sobrou preocupação. O que podem os clubes fazer para reduzir os danos de pular uma etapa tão importante?

Como pouco entendo do assunto, me vali de quem muito sabe do assunto. Na quinta-feira, liguei para Paulo Paixão, que dispensa maiores apresentações tão consolidada e estrelada é sua carreira como preparador físico. Às vésperas de completar 70 anos, Paixão não vê a hora de voltar aos trabalhos – sua última passagem foi no Bahia, junto do técnico Roger Machado, ano passado. E adianta: 2021 será uma temporada complicada por uma série de fatores. “Algumas equipes terão mais prejuízos, outras menos, mas todas terão de alguma forma”, avisa. Sem o mesmo tempo de antes, a solução passa por um acompanhamento ainda mais individualizado dos jogadores, assim como reuniões mais frequentes da comissão técnica em todos os seus aspectos. A minutagem, que indica quanto cada atleta vem jogando, será vital, da mesma forma que exames que determinam o desgaste muscular. “É um conjunto de ações no qual a comissão técnica tem que estar bem atenta para encontrar o equilíbrio e dar continuidade”, avalia Paixão, que lembra que um erro que gere desequilíbrio no início da temporada terá consequências ruins durante todo o resto do ano.

Se em outros anos, era melhor não dar chance para o azar na Pré-Libertadores, em 2021 as primeiras fases da competição são ainda mais danosas. Primeiro, porque trazem consigo o risco de eliminação e, como todo jogo eliminatório, uma carga de tensão maior para os atletas, junto de viagens longas, muitas vezes com fuso horário diferente. Segundo, porque, de novo, diminui o tempo para treinos no início da temporada. “O ideal é, se possível, evitar a Pré-Libertadores e rodar o elenco, fazer com que os regionais sejam jogados pelas equipes sub-23. É preciso encontrar o equilíbrio dos atletas”, recomenda Paixão. Por fim, um aviso: não estranhe se daqui dois meses o número de lesões no futebol brasileiro começar a aumentar, afinal de contas tanto desgaste uma hora cobra a conta. E quando alguém do quilate de Paixão fala, convém ouvir com atenção.


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