A revista Veja e os livros sobre corrupção
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A revista Veja e os livros sobre corrupção

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Barrichello está perto de ir para Williams, diz revista

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Três livros sobre escândalos de corrupção impactaram o Brasil nos últimos anos: O País dos Petralhas, de Reinaldo Azevedo; O chefe, de Iva Patarra; e agora A privataria tucana, de Amaury Ribeiro Jr.

A revista Veja escondeu o livro de Amaury Ribeiro Jr.

Em contrapartida, abriu generoso espaço para Reinaldo Azevedo.

*


Livros
Alto lá, em nome da lei

Em O País dos Petralhas, Reinaldo Azevedo, o melhor
blogueiro do país, conta sua luta diária com a turma da situação


Diogo Mainardi









Manoel Marques
BASTANTE CONVENCIONAL
Reinaldo Azevedo: "No auge de minha esquisitice, defendo o cumprimento da lei"


















VEJA TAMBÉM







Exclusivo on-line
Trecho do livro



Um petralha indignado pergunta a Reinaldo Azevedo como ele consegue dormir em paz. Resposta:

– Com Stilnox.

E conclui:

– Por isso defendo os laboratórios, as patentes e a propriedade intelectual.

Esse é o resumo perfeito de O País dos Petralhas (Record; 337 páginas; 38 reais). O livro reúne os melhores textos de Reinaldo Azevedo sobre o petralhismo, publicados em seu blog em VEJA.com desde junho de 2006 e, antes disso, em sua coluna em O Globo. O que significa "petralha"? Um glossário, no fim do livro, esclarece: "Neologismo criado da fusão das palavras ‘petista’ e ‘metralha’ – dos Irmãos Metralha, sempre de olho na caixa-forte do Tio Patinhas. Um petralha defende o roubo social".

O roubo social é uma disciplina que, praticada pelos operadores do petralhismo entranhados no partido e no setor público, se baseia no – como dizer? – roubo. Pode ser o roubo para eleger um candidato, ou o roubo para enlamear um opositor, ou o roubo para encher as burras de dinheiro. Em geral, tudo isso junto. Para que um petralha possa roubar sem constrangimentos, ele precisa contar com a cumplicidade de outros petralhas, enfronhados na imprensa, na internet, nas salas de aula, nos gabinetes, nos tribunais, nas delegacias, nas rodas de samba. O papel deles é fazer a defesa teó-rica do banditismo, acobertando todos os crimes cometidos em nome do partido. Esta é a gangue que Reinaldo Azevedo combate: a gangue que violenta as idéias, que corrompe os conceitos, que brutaliza a verdade. Se o Brasil do PT é Patópolis, Reinaldo Azevedo só pode ser o nosso Mickey.

Ele, o camundongo sabido de Dois Córregos, é o melhor blogueiro do país. O termo blogueiro, para quem está acostumado só com a imprensa escrita, pode soar ligeiramente depreciativo. Corrigindo: Reinaldo Azevedo é o melhor articulista do país. É o único capaz de passar com desenvoltura de Robert Musil à egüinha Pocotó, de G.K. Chesterton a Marilena Chaui, de Ortega y Gasset a Marco Aurélio Garcia. Com 900 000 páginas lidas todos os meses, seu blog é também um dos mais populares da internet. O resultado é espantoso: se, num dia, ele indica um filme no Youtube, como aquele sobre a pancadaria da PF em Raposa Serra do Sol, no dia seguinte o filme já contabiliza 18 000 espectadores.









LADRÃO É LADRÃO
Irmãos Metralha, os inspiradores do título

Para nossa sorte (eu, Diogo, sou uma das centenas de milhares de macacas-de-auditório de Reinaldo Azevedo, e entro no blog umas cinco vezes por dia, como a média de seus leitores), o melhor articulista do país é igualmente o mais compulsivo. Reinaldo Azevedo trabalha sem parar. Até a última quarta-feira, seu blog já publicara 14 943 artigos. Dois anos atrás, os médicos abriram uma tampa em seu cocuruto e arrancaram lá de dentro dois hemangiomas ósseos do tamanho de bolas de gude. Três dias depois, no quarto do hospital, ele já estava na frente do computador, fazendo chacota de seu aspecto de golfinho Flipper e de seus tumores benignos – o único produto benigno saído de sua cachola.

Reinaldo Azevedo costuma escrever seu primeiro artigo às 3 da tarde, quando acorda, e o último às 5 e meia da madrugada, quando toma seu comprimido de Stilnox e vai dormir. Ao petralha indignado: Reinaldo Azevedo nunca dorme em paz, ele dorme em guerra. Em guerra contra os petralhas indignados, contra os esquerdopatas, contra os tocadores de tuba, contra o Apedeuta (consulte o glossário de O País dos Petralhas). Isso lhe rende, todos os dias, centenas de mensagens ofensivas. Chamam-no de canceroso, de nazista, de Opus Dei. A primeira triagem dos comentários dos leitores, em que se eliminam todos os insultos, é feita por sua mulher. Ela se chama Lilian, mas os leitores do blog a conhecem como Dona Reinalda. Há também as Reinaldinhas, suas duas filhas, Maria Clara, de 13 anos, e Maria Luíza, de 11.

Apesar de estar sempre em guerra, Reinaldo Azevedo se considera "bastante convencional". O que isso quer dizer? Quer dizer que ele chama "crime de crime, ladrão de ladrão, bandido de bandido". E acrescenta: "No auge de minha esquisitice, defendo o cumprimento da lei". Essa é uma idéia repetida incessantemente ao longo do livro. Para ele, "a impunidade destrói qualquer chance de futuro. Se a lei é cumprida, entra-se numa espiral positiva de direitos e deveres". Por isso ele se bate pelas leis e pelas regras da democracia, da gramática, da lógica, dos bons costumes e da patente dos remédios. No país dos petralhas, o assombroso é ficar do lado da lei.

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Abriu espaço para Ivo Patarra.

































































Índice













































































Millôr
Lya Luft
Diogo Mainardi
André Petry
Roberto Pompeu de Toledo






















































































Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Holofote
Contexto
Datas
Gente
Veja.com
Veja essa
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos 

 


Livros
Resumo da crise 

Livro divulgado na internet
compila os escândalos petistas









Divulgação
"Capa" de O Chefe: Lula sabia

O jornalista Ivo Patarra, de 47 anos, apresentou seu livro O Chefe para duas editoras. A obra foi recusada por ambas, e Patarra decidiu recorrer a um meio mais rápido e abrangente para divulgar o texto – a internet. Com isso, ele indica um caminho para escritores na mesma situação. O endereço do site criado pelo autor dá uma pista do tema de seu livro: www.escandalodomensalao.com.br. O Chefe é uma compilação detalhada dos escândalos que abalaram o governo Lula, desde que VEJA revelou o esquema de corrupção nos Correios, em maio de 2005, até o encerramento da CPI dos Bingos, em junho deste ano. São 403 dias de crise, segundo as contas do autor. O livro procura estabelecer uma cronologia desses eventos, e não traz novidades ou grandes revelações sobre a lama petista. Mas deixa sua posição muito clara: o chefe referido no título é, evidentemente, o presidente Lula. "Esse negócio de que ele não sabia de nada é balela. Lula é o grande beneficiário do esquema de compra de deputados", opina Patarra. O autor admite que já votou no PT – e, embora nunca tenha se filiado a nenhum partido, no início dos anos 90 foi assessor de imprensa da prefeitura petista de Luiza Erundina. "Mas aquele era um governo autêntico. Cometeu muitos erros, mas por inexperiência, e não por falta de caráter", diz Patarra.