Alguns fatos da saga Bolsonaro
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Alguns fatos da saga Bolsonaro

Denúncias cercam o clã que comanda o país

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      Para o jornalismo existem fatos. Joice Hasselmann, deputada federal e aliada de primeira hora do bolsonarismo, denunciou a existência de um “gabinete do ódio” instalado no Palácio do Planalto com a missão de espalhar fake news. Investigações descobriram uma conta do site “bolsofeios” atrelada a um e-mail de um assessor de Eduardo Bolsonaro. Fato. Também foram identificados disparos em massa de mensagens pró-Bolsonaro, por whatsapp, durante a campanha eleitoral. Fato. O agora ex-ministro Sérgio Moro pediu demissão do cargo acusando o presidente da República de querer interferir na Polícia Federal. Apresentou provas desde o primeiro dia: uma mensagem trocada com Bolsonaro na qual o capitão considerava “mais uma razão para troca” a notícia de que a PF estava no encalço de deputados bolsonaristas. Fato.

      Moro ainda indicou uma conversa gravada de uma reunião ministerial na qual Bolsonaro defendeu seus interesses familiares. Foi um triste espetáculo no qual um ministro postulou a prisão dos magistrados do STF, uma ministra pediu o encarceramento de prefeitos e governadores, e o presidente da República ameaçou de demissão quem tentasse impedi-lo de satisfazer seus desejos pessoais. Livre de Moro, Bolsonaro realizou todos as suas vontades. Só não emplacou um fiel entre os fiéis na chefia da PF por obstrução do STF. Enquanto o mundo se defende do coronavírus com isolamento social, Bolsonaro participa quase diariamente de aglomerações e preconiza a volta ao trabalho sem considerar o risco para milhões de pessoas. Fato. Teimoso, ceifa ministros da saúde que, por serem médicos, resistem à sua ignorância.

      Entre tantos fatos, nova bomba. O empresário Paulo Marinho, o homem que emprestou a casa no Rio de Janeiro para a campanha de Bolsonaro, declarou ao jornal Folha de S. Paulo que um policial federal avisou Flávio Bolsonaro, ao final do primeiro turno da eleição de 2018, que o seu capanga Queiroz seria objeto de investigação na operação “Furna da Onça” por desvio de dinheiro público na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Marinho disse que o tal delegado da PF deu mais dicas: Eu sou eleitor, adepto, simpatizante da campanha [de Jair Bolsonaro], e nós vamos segurar essa operação para não detoná-la agora, durante o segundo turno, porque isso pode atrapalhar o resultado da eleição”. Flávio tratou de arranjar advogado para Queiroz depois de demiti-lo acatando a sugestão do zeloso agente da Polícia Federal. Depois disso, novos fatos apareceram: Flávio Bolsonaro destinou meio milhão de reais de dinheiro público para um advogado, seu amigo de infância, investigado nas rachadinhas da Assembleia carioca, tudo com aparência de legalidade e supostos serviços prestados. O enredo não termina.

      Bolsonaro foi eleito graças a uma aliança entre mercado e classe média, com apoio implícito de grande parte da mídia, contra o petismo e a corrupção. O que resta, com esses fatos todos, dessa fábula? Quem quer morrer abraçado com um presidente sem rumo? Paulo Marinho, suplente de senador de Flávio e pré-candidato à prefeitura do Rio pelo PSDB, avaliou o presidente assim: “O capitão não tem capacidade pessoal de gerir um país em condições normais”. Lembrou-se dele na campanha como incapaz de dizer obrigado a alguém, contando piadas homofóbicas, misógino, tosco e só à vontade com os seguranças”. Mas o apoiou.

Bolsonaro persegue uma biografia de terceira classe. No dia em que mais de mil brasileiros morreram por covid-19, ele se notabilizou por uma piada infame: "Os de dirteita tomam cloroquina. Os esquerda toma tubaína". A culpa é da mídia?