Candidatos para 2022

Candidatos para 2022

Tabuleiro quase definido

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      Em 2022, as eleições presidenciais dominarão as conversas. No Brasil e na França. Talvez tenham de conviver com mais alguma variante do coronavírus. A mais recente, batizada de ômicron, está assustando o mundo. Até agora, pelas informações que circulam, só há uma maneira realmente eficaz de frear a contaminação: vacinar o mundo inteiro ao mesmo tempo. Ou seja, no menor tempo possível. É possível? Apesar de aparentemente não ser, é. Para isso os países ricos, no próprio interesse, terão de se organizar e bancar a vacinação dos pobres. E as eleições? Na França, como no Brasil, elas vão se dar na polarização.

      O Brasil tem vários candidatos na pista. Nem todos estarão nas urnas eletrônicas. Três despontam como incontornáveis: Jair Bolsonaro, Lula e Sérgio Moro. A tal terceira via ainda se ensaia com João Dória, com o PSD e com o PDT de Ciro Gomes. O ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, estrela do novo partido, o União Brasil, fusão do DEM e do PSL, abriu mão da candidatura presidencial. Sonha em ser vice de Moro. A pergunta de um milhão de votos: de quem Moro vai tirar mais votos? De Lula, com suas críticas, ou de Bolsonaro, por atuar na mesma faixa? O ex-juiz da Lava Jato projeta-se como a terceira via possível. Cada um pode imaginar um debate entre ele e Lula ou ele e Bolsonaro. Será, em princípio, mais interessante do que uma final de Libertadores da América. Moro vem praticando retórica e fazendo fono. Treina sorriso.

      Bolsonaro aposta no Auxílio Brasil para recuperar a popularidade. Lula conta os dias na esperança de que o tempo passe depressa e sua liderança nas pesquisas não seja corroída. Ciro Gomes vem tendo sua candidatura sacudida pela entrada de Moro na corrida. Afinal, ele tem mirado mais Lula do que Bolsonaro. Quer ser uma alternativa ao mesmo tempo para direita, esquerda e centro. Meta nada fácil de concretizar. Há, ainda, outros nomes disponíveis, como o do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco. O MDB lançou a senadora Simone Tebet. Ainda não se sabe se é para valer ou balão de ensaio. Por enquanto, sondar é do jogo. Em seguida, virá o grande lance da definição dos vices que tragam votos, não conspirem, em caso de vitória, e deem vantagens em certas regiões.

      A França poderá ter candidato de extrema direita no segundo turno.  O nome mais provável é o de Marine Le Pen, mandachuva do espectro tradicional, que herdou do pai, Jean-Marie Le Pen, com foco na rejeição aos imigrantes e à suposta islamização do país. Há, porém, um azarão rondando a disputa, Éric Zemmour, colunista do jornal “Le Figaro”, uma espécie de Olavo de Carvalho de espada em riste contra o politicamente correto. Zemmour e Marine querem a França para os franceses, especialmente os franceses brancos. Marine tem trabalhado para descolar a sua imagem do extremismo do pai, cujo racismo sempre foi escancarado.

      E assim 2022 promete grandes emoções. Muita gente fará o que mais ama: odiar um dos candidatos acima de tudo. Na prática, serão dez meses de campanha. Os dados ainda não foram lançados. O jogo está aberto.


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