Diário da quarentena (2)
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Diário da quarentena (2)

Sol, medo e atitudes


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O sol brilha indiferente aos desatinos humanos.

À noite, carros percorreram as ruas incitando as pessoas a voltarem para casa.

A Itália teve 627 mortes num único dia.

Um deputado médico garante que há exagero no ar.

Se estiver certo, ganhará estátua. Se errar, virará pó.

O pico da infecção no Brasil é previsto de sábado até quarta-feira, 25 de março.

Estamos cada vez mais recolhidos em casa.

Farmácias veem estoques de cloriquina desaparecem depois se ter noticiado que o remédio estaria dando bons resultados com paciente infectados por coronavírus. O governo interferiu tornando produtos controlados para evitar que outros doentes fiquem sem remédio. Em alguns lugares, a cloriquina foi recolhida.

A novela exibiu seu penúltimo episódio. Os capítulos gravados estão acabando.

Repetições de velhas novelas começarão na terça-feira.

O presidente continua a dizer sandices.

Converso com mutos amigos por aplicativos: zoom, skype, hangouts.

Dou aula por zoom. Aplico tafefas no moodle.

Gravo vídeos para meu canal no youtube: imaginário.

O telefone também serve. Até e-mail ainda faz sentido.

Na segunda, começaremos nosso programa de rádio de casa. Por aplicativo.

Um psiquiatra recomenda: distraiam-se. Não fiquem obcecados por canais de notícias sobre a pandemia. Tentem relaxar. Contatem familiares.

Por aplicativos.

A tecnologia, mais do que nunca, viraliza.

Penso em minha infância.

Cláudia faz aniversário.

Escuto Ella Fitzgerald: Blue Moon.