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Fanáticos

Um governo de intransigentes, intolerantes, radicais

Por
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 Poucas vezes um governo reuniu tantos fanáticos. Um dos sentidos de fanárico é intolerante, o que remete a radical, extremista, intransigente, aquele que se vê como imbuído de uma missão moralizadora a ser executada contra tudo e todos os oponentes. O fanatismo da esquerda em governos em gestões anteriores nada muda em relação à constatação do fanatismo atual,
Há o guru fanático, Olavo de Carvalho, que, dos Estados Unidos, uiva em defesa da cultura ocidental e não se furta de alimentar a ideia de que a Terra é plana. Há o presidente fanático, Jair Bolsonaro, em luta contra o comunismo, o gayzismo, a ideologia de gênero, a indústria da multa, o politicamente correto, a Folha de S. Paulo e a Rede Globo. Há a ministra fanática, Damares Alves, defensora da moral e dos bons costumes, menino veste azul, menina veste rosa, e da abstinência sexual na adolescência como método mais eficaz para evitar a gravidez precoce.

      Há o ministro fanático antidrogas, Osmar Terra, decidido a internar pela força dependentes e a endurecer a repressão ao tráfico e ao consumo de drogas, na contramão do que o mundo começa a fazer. Há o ministro fanático do Meio Ambiente, Ricardo Salles, que odeia ecologistas e pretende privatizar o monitoramento da Amazônia. Há o ministro fanático da Justiça, o famoso Sérgio Moro, que só pensa em prisões e penas. Há o ministro fanático das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, inimigo de um espectro que estaria rondando o planeta, o globalismo, cuja principal arma seria o marxismo cultural, um método para destruir a civilização cristã.

      Acabou? Claro que não. Há o ministro fanático da Educação, Abraham Weintraub, paladino da guerra contra a balbúrdia nas universidades públicas, que estariam infestadas de maconheiros e de gente pelada. Armado de guarda-chuva, Weintraub investe contra a hegemonia do marxista italiano Antonio Gramsci no imaginário docente e contra a influência do brasileiro Paulo Freire na formação das mentalidades estudantis. Até agora, o ministro conseguiu apavorar as universidades com seus cortes de verbas, semear ideias estapafúrdias e ferir de morte a língua portuguesa com um “haviam emendas”. Terminou?

      Como assim? Claro que não. Há o grande fanático neoliberal Paulo Guedes, que desde a época de Fernando Collor quer privatizar o Brasil para honra e glória do capital. O projeto maior do extremista de Chicago é a privatização da Previdência por meio do regime de capitalização, mecanismo fracassado no Chile e em mais 17 países. Ideologizados ao extremo, os fanáticos do bolsonarismo acreditam ser neutros e missionários da verdade objetiva contra a ideologia comunista em expansão. Em torno do governo, em postos maiores ou menores, orbitam fanáticos com a deputada Joice Hasselmann, no papel de virtuosa na casa da mãe Joana, e o deputado Alexandre Frota, que migrou da pornografia para os tratados de moral, mais ou menos como um ex-fumante disposto a exterminar o tabagismo.

      Há, não se pode esquecer, a família fanática mais unida do universo, os irmãos Bolsonaro, 01, 02 e 03, Flávio, Carlos e Eduardo, discípulos do fanático-mor, pregadores do olavismo, que encarnam a ala mais purista e xiita do bolsonarismo, dispostos a acelerar o processo revolucionário por meio das redes sociais, onde a massa fanática pede armas, fim das multas e extinção do comunismo, que, conforme o sacerdote Olavo, impregna até as Forças Armadas. Faltou alguém? O ministro do laranjal? Ah, o braço direito desse fanatismo de direita, o que não é pouco, o destemido Onix Lorenzoni, um dos primeiros a seguir Jair Messias Bolsonaro.