Jacarandás para quem floresceu

Jacarandás para quem floresceu

Correio do Povo premiou destaques dos livros

publicidade

 

      Estão floridos os jacarandás. O Correio do Povo, com apoio do Banrisul e do PUCRS Cultura, concedeu o seu Prêmio Jacarandá a cinco destaques destes tempos de pandemia: o livro “A avesso da pele”, de Jeferson Tenório; o escritor José Falero, autor de “Vila Sapo” e “Os supridores”; Morgana Marcon, diretora da Biblioteca Pública do Rio Grande do Sul; a livraria Bamboletras; e Renata Agro Balbueno, auditora pública que bancou do próprio bolso o aluguel da livraria e editora Taverna quando soube que os proprietários estavam no sufoco. Participei do júri com Luiz Gonzaga, Paulo Mendes e Marcos Santuário.

      Tenório, carioca radicado em Porto Alegre, conseguiu o que todo escritor sonha: ser reconhecido nacionalmente. Ele já havia chamado a atenção com “O beijo na parede”, o seu romance de estreia. Já com o selo da Cia das Letras, explodiu e vai ser editado em vários países europeus. Falero impressionou com “Vila Sapo”. A poderosa editora Todavia não perdeu tempo e lançou não faz muito o seu “Os supridores”. A literatura de Falero tem laivos de Jean Genet, fagulhas de Céline, sobressaltos de Roberto Arlt. Alguém pode achar exagerado. O que fazer quando uma leitura nos provoca comparações assim? Negar? Fruir.

      A Bamboletras é um oásis na Cidade Baixa. Casa de quem gosta mesmo de livros. Fundada em 1995, tem o Milton Ribeiro no comando nos últimos dois anos. Faz parte do circuito livro-cinema em shopping com sabor de cotidiano e vida fora das grandes estruturas hermeticamente fechadas de aço e vidro escuro. Morgana Marcon dá seu sangue pela Biblioteca Pública há muito tempo. Jovem repórter, eu fui entrevistá-la. Biblioteca pública em tempos digitais assume ar de espécie ameaçada. Já a Renata Agro Balbueno deu um exemplo inacreditável, de arrepiar. Não pediu recompensa, não quis aparecer quando teve reportagem sobre o seu feito em rede nacional de televisão, ficou na dela, discreta, elegante e benfeitora dos livros. Salvou a Taverna, que vai se instalar agora no térreo da Casa de Cultura Mario Quintana.

      Há tenta gente que merece prêmio: Luiz Maurício Azevedo e Fernanda Bastos, por exemplo, pela editora Figura de Linguagem, focada em autores negros. Luiz Maurício brilha também com autor (“Pequeno espólio do mal” e “A manipulação das ostras” são ótimos) e crítico literário. Outro que merece prêmio é Luís Gomes, editor da Sulina, que pilota um catálogo precioso em cinema e ciências humanas. Foi a Sulina de Luís Gomes que introduziu Michel Houellebecq no Brasil, com “Partículas elementares” e “Extensão do domínio da luta”. Foi ele também que lançou o próprio Jeferson Tenório. A livraria Baleia também faz um trabalho que encanta muitos leitores. A safra é excelente.

*

Falando em homenagens, recebi, junto com outros maravilhosos colegas, entre os quais a minha amiga Cristiane Finger, a medalha Irmão Afonso pelos meus 25 anos de PUCRS. Um quarto de século como professor. Entrei na PUCRS, como aluno, em 1980. São 40 anos de recompensas. Uma das melhores é quando um aluno diz assim: “Muito boa a sua aula”.


Correio do Povo
DESDE 1º DE OUTUBRO 1895