Michel Foucault, as ervilhas e o cercamento eletrônico do Parque da Redenção

Michel Foucault, as ervilhas e o cercamento eletrônico do Parque da Redenção

publicidade

Vigiar e Punir. Punir e vigiar.

Michel Foucault tinha razão.

Ele só via grades e controles por toda parte.

Anteviu.

As grades estão sendo substituídas pelo cercamento eletrônico.

Não se pode mais meter o dedo no nariz dentro do elevador.

Não se pode mais fazer sexo num banco de praça.

Daí a necessidade de fazer maratona no deserto.

Como diz  Bauman, as sociedades oscilam entre liberdade e segurança,

Mais liberdade, menos segurança.

E vice-versa.

Há um projeto de cercamento eletrônico do Parque da Redenção, em Porto Alegre.

Por que a Redenção?

Por que não o Parcão, playground da turma fashion da capital gaúcha?

Li isto no jornal sobre violência na Redenção: "Conforme dados da Divisão de Planejamento e Coordenação da Polícia Civil, nas vias no entorno do parque, localizado no bairro Bom Fim, roubos e furtos são os crimes mais comuns. O número de roubos se mantém constante: 42, em 2007; 41, em 2008; 39, em 2009; 32, em 2010; e 47 em 2011. Já os de furtos apresentaram redução 29, em 2007; 32, em 2008; 37, em 2009; 20, em 2010; e 13 em 2011".

Não chega a ser extraordinário.

As câmeras vão nos vigiar por toda parte.

No futuro, haverá câmeras dentro das casas de cada um.

Haverá câmeras no cérebro de cada um.

As ervilhas ficarão expostas.

Foucault venceu.

Quer dizer, perdeu.

Mas viu antes de todos.

A vigilância aumenta. A disciplina também.

Chegaremos à punição total.

Uma sociedade sem dedo no nariz.

O que pensa o prezado leitor?

Contra ou a favor?

publicidade

Correio do Povo
DESDE 1º DE OUTUBRO 1895