Releitura Poética
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Releitura Poética

O que fazer depois do modernismo?

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Estou farto do modernismo comedido

Do modernismo bem-comportado

Do modernismo funcionário público com currículo Lattes e manifestações de apreço aos venerandos da Semana da Arte Moderna de 1922

Estou farto do modernismo que para e vai averiguar na história o que Mario e Oswald teriam sentido, teriam dito, teriam feito com patrocínio de um exportador de café

 

Abaixo os modernistas!
Todas as imagens sobretudo os barbarismos pós e hipermodernos
Todas as construções sobretudo as que não se encaixam no cânone dos velhos heréticos engravatados bebedores de chá

 

Todos os ritmos sobretudo os pós-estéticos

Estou farto do modernismo no retrovisor
Acadêmico
Artístico
Bajulador
De todo modernismo que rejeita ao que quer que seja fora de si mesmo.

De resto não é modernismo
Será marketing, ata de reunião de condomínio, joia para entrar no clube,

Folha de S. Paulo, Cia das Letras, Festival de Paraty, Itaú, jacu, sapo-boi,

Mil padrões de correspondência mais a fórmula de Bhaskara para agradar resenhistas e tentar inventar uma tradição de última hora e um passado de respeito, etc.

Quero antes o pós-modernismo dos ressentidos
O hipermodernismo dos consumidores de crack
O transmodernismo acessível e depressivo dos desencantados
O pós-modernismo dos fakes de Machado e Rosa.

- Não quero saber do modernismo que não mata os pais fundadores

O modernismo futurista agora é passado!

 

Bufa o sapo-boi: foi moderno, não foi, foi, não foi!

 

Estou farto do poeta descolado,

Do romancista laureado,

Dos velhos da Academia de Letras,

Dos jovens citados nas listas dos promissores

Dos queridinhos dos professores

Dos ganhadores do Jabuti

Dos polemistas fazedores de tretas

 

Foi moderno, não foi, foi, não foi!

 

Estou farto dos que falam Machado,

Dos que juram que Machado de Assis defendeu os negros

Por ter aparecido – era ele, era ele, era sim – numa fotografia depois da abolição

 

Estou farto de andar sempre com a mesma bandeira

Dos romancistas da Semana só restaram documentos,

De alguns poetas, sim, sobrou um tanto de humor

 

Foi moderno, não foi, foi, não foi

Há uma camada de pó em cada poema.

 

Foi moderno, não foi, foi, não foi...