Reta final das eleições

Reta final das eleições

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 Entramos na reta final. Chegou a hora de escolher em definitivo pelos próximos quatro anos. No domingo, cada eleitor sentirá a famosa angústia do goleiro na hora do gol. Ou do cobrador do pênalti na solidão povoada do estádio. Em que canto bater? Se acertar, fez o dever de casa. Se errar, pagará a conta. As pesquisas dão o jogo por jogado. Analistas tentam de tudo para explicar o cenário vivido. O que levou a população brasileira, que elegeu o PT quatro vezes seguidas, a pender, no primeiro turno e nas sondagens, para o outro lado?

As respostas dificilmente deixam de lado estes aspectos: antipetismo; corrupção; insegurança e violência; ideologia. Razões não faltam no imaginário para que muitos rejeitem o PT. A sigla passou a ser associada ao estigma da corrupção endêmica. A sua defesa quase sempre consiste em alegar que os outros não são melhores. Jair Bolsonaro, porém, garante que seus adversários o atacam em diversos campos, especialmente o das polêmicas sobre comportamento e da sua inércia com deputado de sete mandatos, por não poder chamá-lo de corrupto. A violência nas ruas é um fato. O medo domina. A questão é saber qual a solução para isso. Armas?

O fator ideológico não pode ser menosprezado. Muita gente perdeu a timidez e encontrou-se no discurso frontal de Bolsonaro. Escancarou-se um orgulho de ser de direita e de rejeitar o chamado politicamente correto, tudo aquilo que contesta um estado de coisas secular. Um Brasil que não se exibia em praça pública passou a se manifestar e a “causar” na internet. Sem dúvida, é a eleição das redes sociais, das fake news, dos grandes embates ideológicos em qualquer lugar, dos arroubos retóricos perigosos, das pressões sobre os oponentes e das ameaças. Há muita dúvida no ar. Fernando Haddad sustenta, porém, que a virada acontecerá. Diz que sente isso no ar. As últimas pesquisas também trouxeram algum conforto. A diferença entre os candidatos caiu um pouco.

No Rio Grande do Sul, o segundo turno será decidido entre dois candidatos do mesmo campo ideológico, José Ivo Sartori e Eduardo Leite. Mesmo assim, o tom subiu. Não há disputa pelo poder sem tensão e golpes baixos. Também aqui, segundo as pesquisas, o jogo está jogado. Os dois candidatos tiveram de declarar apoio a Bolsonaro, o grande eleitor, para não perder terreno. Leite oscilou entre o apoio imediato, o recuo e a adesão com ressalvas. Sartori foi com tudo e sua equipe apostou numa fusão marqueteira inimaginável: o “Sartonaro”.

O mundo observa o Brasil um tanto perplexo. A retórica agressiva e conservadora de Bolsonaro assusta parte da imprensa internacional. Não faltam também críticas ao fato de que o PT nunca fez um pedido de desculpas ao país por alguns dos seus malfeitos de um passado ainda muito recente e fumegante. Poucas vezes se viu e sentiu tanta tensão numa disputa eleitoral no Brasil. Amizades se desfizeram, familiares se dividiram, almoços de domingo viraram campo de batalha, mentiras foram defendidas como verdades e verdades foram desmentidas todo dia.

Faltou o grande debate de televisão entre Jair Bolsonaro e Fernando Haddad. Deveria estar na regra do jogo? A estratégia eleitoral impõe-se. Esquerda e direita já se esquivaram de debates. Uma pena. Os dados foram lançados. Ou ainda serão? A solidão da cabine dita indevassável pesará como um túmulo para muitos. Chegou a hora.

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