Setenta anos da PUCRS

Setenta anos da PUCRS

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      A PUCRS está festejando 70 anos de existência. Passou o tempo. Venho pisando nas alamedas da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul desde 1980. Já são 38 anos. Na primeira vez, num janeiro escaldante, entrei pela Bento Gonçalves para fazer vestibular. Na saída, me atrapalhei e peguei o ônibus para Viamão. Eu tinha acabado de chegar de Palomas. Saí da PUCRS diplomado em História e Jornalismo. Voltei para um curso de especialização. Desde 1995, sou professor na Famecos. Com muito orgulho.

Como cresceu a PUC nesses anos todos!

Virou PUCRS.

Ganhou prédios, doutores, jardins, laboratórios, o TecnoPUC, dimensão internacional. Nestas quatro décadas que ando por lá três reitores fizeram a universidade navegar e avançar: Norberto Rauch, Joaquim Clotet e agora Evilázio Teixeira. Três maristas. Francos, simples, acessíveis e abnegados. Rauch era um “alemão” aparentemente rígido e fechado. Tinha um baita coração. Nunca me esqueço de quando batemos um belo papo comendo baguette numa estação de trem na França. Era uma viagem de autoridades gaúchas que eu acompanhava como correspondente em Paris. Clotet é um catalão generoso e afável que sempre mostra alegria ao ver as pessoas. Evilázio é um gaúcho de Vacaria carimástico e aberto com a missão de conduzir a casa em tempos de grandes mutações tecnológicas, culturais e sociais. Como se diz, grandes figuras.

Entre os maristas da PUCRS tive um grande amigo, um protetor até mesmo, pois eu era um jovem estrabulega: Irmão Mainar Longhi. Que bela pessoa. Professor no curso de jornalismo, ele nos apresentou “Quarup”, de Antonio Callado, “Encontro marcado”, de Fernando Sabino, “O rapaz que suava só do lado direito”, de Antônio Carlos Resende, e “Maíra”, de Darci Ribeiro. Lá estávamos nós – Telmo Flor, David Coimbra, Sérgio Bueno, Rosane Aubin e toda a galera – lendo, discutindo e resenhando. Nessa época, a PUC era bem menor, uma cidade do interior diante da metrópole que se tornaria.

Cada reitor acrescentou uma pedra fundamental na estrutura da PUCRS. Houve crescimento da infraestrutura, melhoria nas condições de trabalho, investimento em formação e pesquisa. Outro homem importante nessa história foi Urbano Zilles. Como pró-reitor de Pós-Graduação e Pesquisa, concebeu e implementou um projeto transformador: “Mil doutores no ano dois mil”. A meta foi cumprida. Deu-se um salto. Depois, numa espécie de nova era, entraram em campo gestores jovens e de grande dinamismo como Jorge Audy. Quando cheguei na PUC, guri do interior deslumbrando, o campus ainda era acanhado, modesto, embora me parecesse estupendo.

Hoje, é um belo jardim.

Ao completar sete décadas de existência, a PUCRS vive em nova estrutura. No lugar das faculdades, as escolas: Ciências, Ciências da saúde, Comunicação, Artes e Design – Famecos, Direito, Humanidades, Medicina, Negócios e Politécnica. Cada tempo com sua organização. Um dia, nostálgico, escrevi que minha alma se dividia entre Palomas, Paros e Paris. Preciso corrigir: entre Palomas, Porto Alegre, Paros, Paris e a PUCRS.

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