Teoria geral da virada de mesa
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Teoria geral da virada de mesa

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Glock passa mal e é substituído por japonês em treinos

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Só se vê claro quando o concreto se torna conceito.

Virada de mesa exige uma definição.

No futebol, virada de mesa é toda mudança casuística da regra para favorecer circunstancialmente um clube.

O golpe convencional de Estado tinha tanques na rua.

A virada de mesa tradicional acontece durante a competição.

O golpe de Estado pode ter outras formas. Por exemplo, o golpe parlamentar ou jurídico.

A virada de mesa também assume outras facetas.

Pode ser preventiva. Altera-se  a regra previamente, para além da razoabilidade e da racionalidade, introduzindo um padrão jamais praticado e que nunca mais se praticará, para blindar um clube contra eventuais resultados negativos.

Na política brasileira a virada mesa tornou-se banal.

O STF poderá virar a mesa hoje se mantiver Renan Calheiros no cargo, mas sem direito a figurar na linha sucessória do presidente da República. Será um jeitinho para acomodar as coisas e favorecer interesses do governo.

A virada de mesa pode ter começado quando o ministro do STF Teori Zavascky afastou Eduardo Cunha da presidência da Câmara dos Deputados e do seu mandato. Não havia previsão legal para tanto.

Foi considerado válido.

Por analogia, Marco Aurélio Mello fez o mesmo agora com o presidente do Senado Renan Calheiros.

O Senado desobedeceu.

Valeu num caso? Não vale no outro?

Entre os dois, por maioria, o STF decidiu, embora o julgamento não tenha terminado por trapaça protelatória de um ministro, que réu não pode figurar na linha sucessória do presidente da República.

O princípio é bom. Renan é réu.

Entre as atribuições constitucionais do presidente do Senado está a  substituição do presidente da República.

Não é possível ser presidente do Senado e não figurar na linha sucessória.

Salvo com uma virada de mesa.

Ontem, o Senado virou a mesa contra o STF.

Hoje, o STF virará a mesa contra o Brasil?