Literatura para muitos e para poucos
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Literatura para muitos e para poucos

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Paulo Werneck Paulo Werneck: "A pegada da Flip é inclusiva". Foto: Luiz Gonzaga Lopes


 

Werneck avança no conceito de inclusividade, dizendo que se a literatura brasileira não está tão presente nas 21 mesas da Tenda dos Autores, ela é a tônica dominante nos demais eventos da programação oficial e paralela, citando as programações da Flip+, da Flipinha, da Casa Shakespeare, do Itaú Cultural, da Libre, do Sesc, das casas das editoras e da Off Flip. Só para citar um destes exemplos, o Itaú Cultural terá pela primeira vez uma sede, o Espaço Itaú Cultural de Literatura, apresentado pelo Itaú Unibanco, cuja inauguração será horas antes da abertura oficial da Flip, nesta quarta, 29, às 15h com a mesa "De onde escrevo", um encontro especial do público, jornalistas e editores com cinco mulheres escritoras: Ana Maria Gonçalves, Andréa Del Fuego, Conceição Evaristo, Maria Valéria Rezende e Roberta Estrela D"Alva.

Para dar mais um exemplo de como a Flip foi ficando mais inclusiva, Werneck lembra que a poesia está sendo cada vez mais valorizada em Paraty, não sendo à toa que no ano passado o homenageado foi Mário de Andrade e neste ano será Ana Cristina Cesar. "A poesia está cada vez mais em afinidade com a Flip e vem crescendo o interesse do público durante os cinco dias do evento. Em 2013, Bruna Beber já foi um sucesso e em 2015, Matilde Campilho roubou as atenções da festa. A poesia é sem riscos na Flip, pois sempre atrai o público e os próprios autores. Isto muito por uma influência muito forte nesta nova geração de autores que fala muito do tema e recita ou faz apresentações performáticas dos seus poemas", afirma Werneck.

 

Após duas coberturas seguidas do evento, em 2014 e 2015, posso dizer que o evento é inclusivo e elitista, sim senhor! Comer num restaurante do Centro Histórico de Paraty sempre será mais caro do que uma mesa na Festa. Alimentar o corpo ou o espírito? Eis a questão. Isto talvez não seja ruim. As escolas da região, as vilas de Paraty, todas elas conseguem trabalhar a literatura o ano inteiro por iniciativa da Associação Casa Azul, promotora do evento. O que percebi é que o público se movimenta em direção à participação que no ano passado ficou em torno das 25 mil pessoas e que pode chegar a 30 mil neste ano, mais por interesse e inventividade, comprando ingressos para duas ou três mesas e tendo acesso a outros eventos, todos gratuitos. Para bem ou para o mal, a Flip é inclusiva e elitista, mas enfim, estamos no Brasil, onde as coisas são reais e não ideais. Lutemos para eventos cada vez mais abertos, como é o caso das feiras do livro aqui do RS, em especial as Feiras de Porto Alegre e Canoas, que têm se destacado, mas também outras tradicionais como Pelotas, Caxias d Sul, Santa Maria, Novo Hamburgo, São Leopoldo e Morro Reuter. E viva a literatura, e viva as feiras e festas, sem esquecer da Balada Literária, de Marcelino Freire, que acontece todo o fim de novembro, em São Paulo, que já confirmou Ney Matogrosso para a abertura, no dia 23 de novembro.

 

FICHA TÉCNICA

14ª FLIP
Data: 29 de junho a 3 de julho
Curador: Paulo Werneck
Autores presentes: Karl Ove Knausgård, Benjamir Moser, Arthur Japin, Irvine Welsh, Kenneth Maxwell, Svetlana Alexiévitch, Helen MacDonald, Valeria Luiselli, Gabriela Wiener, Tati Bernardi, Juliana Frank, J.P Cuenca, Patrícia Campos Mello, Armando Freitas Filho.
Locais: Tenda dos Autores, Casa de Cultura Câmara Torres, Capelinha, Praça da Matriz, Biblioteca Casa Azul e outros locais, em Paraty.
Estimativa de visitantes: 30 mil
Orçamento: R$ 6,8 milhões

 

PROGRAMAÇÃO

Quarta-feira, 29 de junho
19h - Sessão de abertura: "Em Tecnicolor", com Armando Freitas Filho e Walter Carvalho
19h45 - Sessão do documentário "Manter a linha da cordilheira sem o desmaio da planície", de Walter Carvalho, às 19h45
21h45 - Sarau

Quinta-feira, 30 de junho
10h - Mesa 1 – "A teus pés", com Annita Costa Malufe, Laura Liuzzi e Marília Garcia
12h - Mesa 2 – "Cidades refletidas", com Francesco Areri e Lúcia Leitão
15h - Mesa 3 – "Os olhos da rua", com Caco Barcellos e Misha Glenny
17h15 - Mesa 4 – "Histórias naturais", com Álvaro Enrigue e Marcílio França Castro
19h30 - Mesa 5 – Matéria cinzenta, com Henry Marsh e Suzana Herculano-Houzel
21h30 - Mesa 6 – "Na pior em Nova York e Edimburgo", com Bill Clegg e Irvine Welsh

Sexta-feira, 1º de julho
10h - Mesa 7 – "Breviário do Brasil", com Benjamin Moser e Kenneth Maxwell
12h - Mesa 8 – "A história da minha morte", com J.P. Cuenca e Valeria Luiselli
15h - Mesa 9 – "O show do eu", com Cristian Dunker e Paula Sibilia
17h15 - Mesa 10 – Encontro com Karl Ove Knausgård
19h30 - Mesa 11 – "Moxórdia de temáticas", com Ricardo Araújo Pereira e Tati Bernardi
21h30 - Mesa 12 – "Sexografias", com Gabriela Wiener e Juliana Frank

Sábado, 2 de julho
10h - Mesa 13 – Encontro com Leonardo Fróes
12h - Mesa 14 – "De Clarice a Ana C", com Benjamin Moser e Heloisa Buarque de Hollanda
15h - Mesa 15 – Encontro da arte com a ciência, com Arthur Japin e Guto Lacaz
17h45 - Mesa 16 – Encontro Svetlana Aleksiévitch
19h30 - Mesa 17 – "O falcão e a fênix", com Helen Macdonald e Maria Esther Maciel
21h30 - Mesa 18 – "O palco é a página", com Kate Tempest e Ramon Nunes Mello

Domingo, 3 de julho
10h - Mesa 19 – "Síria mon amour", com Abud Said e Patrícia Campos Mello
142 - Mesa 20 - "Sessão de encerramento: Luvas de pelica", com Sérgio Alcides e Vilma Arêas
16h - Mesa 21 – Livro de cabeceira - autores convidados leem trechos de seus livros favoritos

INGRESSOS
Os ingressos da programação principal custam R$ 50,00 à venda até esta terça, 28, pelo site www.ticketsforfun.com.br ou fone (11) 3576 1480 . A partir do dia 29, quarta, serão somente vendidos nas bilheterias da Flip, em Paraty, com informações pelo www.flip.org.br.